Segunda Viagem

Diz a lenda que com toda a prata extraída do cerro de Potosí durante a época colonial seria possível construir uma ponte que atravessaria o Atlântico, unindo a Bolívia com a Espanha. Exageros à parte, a prata trasportada para a Espanha em pouco mais de um século e meio ultrapassava em três vezes as reservas […]

Separadas entre si por 600 quilômetros, as nove ilhas do Arquipélago dos Açores ficam na única rota de retorno para a Europa. Essa condição transformou-as em escala obrigatória das rotas transatlânticas tempo da navegação a vela. Situadas a 1500 quilômetros a oeste da Península Ibérica, na mesma altura do território português delimitado As ilhas de origem vulcânica, com uma paisagem marcada por tons de verde, castanho e preto e pontilhadas de cones, são divididas em três grupos:

Até 1580, quando houve a segunda fundação de Buenos Aires, Assunção foi o centro da colonização espanhola na região do Prata. A fortificação instalada em 15 de agosto de 1537 por atribuída a Juan de Salazar Espinosa, num local estratégico, às margens do rio Paraguai, ganhou importância a partir de 1541, quand Buenos Aires.

O Chaco paraguaio é parte do Chaco Sul Americano, uma extensa planície que alcança parte do território da Bolívia e Argentina, num total de 1.280.000 quilômetros quadrados, quase um quarto do território brasileiro. A fragilidade de seu ecossistema decorre de condições climáticas especiais, aliadas a um solo de formação recente. Chove muito pouco e sem qualquer regularidade.

Algumas sociedades indígenas do rio da Prata no século XVI tinham o sistema de compadrio como um de seus fundamentos. Pelo casamento, os povos adquiriam mútuas obrigações sociais e econômicas. Entre os guaranis, o casamento não era um compromisso de mão dupla apenas, mas um acordo coletivo que incluía genros, sogros, cunhados etc. O casamento estabelecia as relações entre os cônjuges e os outros integrantes da tribo ou grupo, essencialmente um conjunto de parentes.

Em 1536, Pedro de Mendoza, o primeiro governador e adelantado daquelas terras, trouxera 16 vacas, dois touros, 32 éguas, 20 cabras, 46 ovelhas e 18 cães, a maioria mortos durante o cerco a Buenos Aires. Os poucos cavalos que se salvaram tinham fugido e começaram a se reproduzir, resultando muitos séculos depois, no chamado cavalo crioulo.

Há vários mitos envolvendo a conquista do Novo Mundo – que, vale recordar, foi “descoberto” por um navegador que pretendia chegar a locais imaginários como Tarsis e Ophir, citados pela Bíblia e por Marco Pólo.

Francisco Pacheco: português, mulato, acabou deixando registrado seu nome na história do Porto dos Patos entre seus mais proeminentes pioneiros. Aparece com destaque na histórica jornada de Aleixo García, a quem acompanhou, sobrevivendo a um massacre no rio Paraguai. Com seu retorno à ilha [de Santa Catarina] foi, certamente, o portador do relato da caminhada e de algumas arrobas de prata e ouro. Conviveu no Porto dos Patos com os desterrados de Sebastián Caboto, presenciando, também, a sua polêmica tragédia.

Não há dados precisos sobre as tribos que habitavam a região percorrida por Cabeza de Vaca. Ele próprio, que na primeira viagem fora tão detalhista, deixou poucas referências sobre os povos e seus costumes ao longo dos Comentários, de autoria de Pero Hernández. O secretário particular e ghost writer de Cabeza de Vaca definiu desse modo os guaranis:

 Em 1594, Alonso de Barzana, um dos primeiros jesuítas a chegar ao Prata se entusiasmou com uma característica dos guaranis:

É toda essa nação muito inclinada à religião, verdadeira ou falsa. Conhecem a imortalidade da alma e teme muito as anguerá, que são as almas saídas dos corpos e dizem que andam espantando e fzendo o mal. Tem grandíssimo amor e obediência aos padres, se os vêm como bom exemplo.

Esses caminhos tinham uma característica comum, observada pelo padre Pedro Lozano em sua Historia de la conquista del Paraguay:

(...)Por esta provincia Tayaoba, junto às cabeceiras do Rio Piquiri corre el camiño nombrado por los guaraníes peabirú y por los españoles de Santo Tomé (...), y tiene ocho palmos de ancho, en cuyo espacio se le nace una yerba muy menuda que le distingue de toda la demás de los lados, que por la fertilidad crece a media vara, y aunque agostada la paja, se quemen los campos, nunca la yerba del dicho camiño se eleva más.

Oficialmente, Sevilha era usada como porto para as Índias, mas muitas expedições partiam de Sanlúcar de Barrameda. O porto, situado nas terras do duque de Medina Sidonia, junto à desembocadura do rio Guadalquivir, fora utilizado por romanos, visigodos e árabes. Vulnerável a ataques por mar, tinha uma vantagem cada vez mais relevante: dispensava a circulação pelo rio sinuoso e cheio de baixios, que não permitia a passagem das embarcações cada vez maiores (400 toneladas era o máximo autorizado).