Personagens

O primeiro europeu a desembarcar no litoral que a capitulação autorizada por Carlos V atribuiria a Cabeza de Vaca foi um francês. Binot Paulmier de Goneville, nobre da Normandia (região norte da França), partiu do porto de Honfleur em 24 de junho de 1503, no comando do l'Espoir (o Esperança). Seu destino eram as Índias Orientais. Fez escala em Cabo Verde e em vários pontos do litoral africano.

Sebastião Caboto nasceu em Veneza em 1474. Sua família era de mercadores bem sucedidos com o comércio de pimenta e seu pai, o famoso explorador John Cabot.

Em 1490, Sebastião mudou-se com a família para Bristol na Inglaterra, uma das mais importantes cidades e portos da Europa de então. O rapaz envolveu-se com os negócios da família e aprendeu muito sobre cartografia, navegação, astronomia e matemática.

Andrés Dorantes de Carranza nasceu por volta de 1500 en Béjar del Castañar, en Castilla la Vieja, filho de Pablo Dorantes, natural de Béjar e morador de Gibraleón. Embora de origem nobre, alistou-se na expedição de Pánfilo de Narváez como comandante de Infantaria. Depois de tornar-se um dos quatro sobreviventes da aventura – ao lado de Cabeza de Vaca, Alonso del Castillo e do escravo conhecido como Estebanico, acabou ficando na América. Segundo seu filho Baltasar, o Vice-rei de Mendoza casou Dorantes com uma viúva rica da Nova Espanha.

Descobri a história do conquistador Alvar Núñez Cabeza de Vaca ao fazer a pesquisa sobre a colonização do estado de Santa Catarina, durante a preparação da biografia da heroína brasileira Anita Garibaldi, publicada em 1999 e que nesses últimos anos vendeu mais de 15 mil exemplares, um grande resultado em termos do mercado editorial brasileiro.

Pertencente a uma das famílias mais nobres da Espanha, dom Pedro de Mendoza fora pagem de Carlos V na Inglaterra e participara do saque de Roma em 1527, junto com as tropas imperiais. Impressionado pela prata do Peru, não confiou só no currículo e usou a prima María de Mendoza, mulher do todo-poderoso secretário real […]

O papel reservado a Mencía Calderón de Sanabria era secundário – esposa do terceiro adelantado nomeado para o Rio da Prata, dom Juan de Sanabria. Quando ele morreu, ainda preparando a expedição 600 homens e umas cem mulheres, em Sevilha, ela se recusou a cumprir o papel de viúva chorosa e decidiu continuar a empreitada. Como as leis da época não permitiam que ela comandasse o projeto, Mencía entregou o comando da expedição a seu filho, Diego, de apenas 16 anos.

O alemão Hans Staden esteve duas vezes no Brasil. Na primeira viagem, aportou em Pernambuco em 28 de janeiro de 1548, na condição de soldado, a bordo de um navio que buscava pau brasil, mas que também estava preparado para combater navios franceses que andavam pela costa da colônia portuguesa.

De família nobre, ele cursara dois anos na universidade de Salamanca e conhecia bem tanto latim como direito. Secretário do governador de Cuba, Diego Velásquez de Cuéllar e alcaide de uma vila, foi acusado de conspiração e preso. Reabilitado, recebendo a missão de reconhecer a península de Yucatán, no México, com ordens expressas de não fundar qualquer colônia.

O papel que Pero Vaz de Caminha desempenhou no primeiro contato oficial dos europeus com o Brasil, Luiz Ramirez exerceu em relação à ilha de Santa Catarina. Ste marujo da armada de Sebastião Caboto escreveu a seu pai, em 10 de julho de 1528, durante o primeiro encontro entre navegadores espanhóis e os cordiais carijós que viviam na ilha, por eles chamada de Meiembipe.

Tão fascinante quanto os processos judiciais envolvendo Álvar Núñez Cabeza de Vaca são os chamados pleitos colombinos, uma longa disputa judicial entre a coroa espanhola e os herdeiros de Cristovão Colombo. Após 1492, seus filhos Hernando e Diego, ainda muito meninos, vão de pobres a nobres: são admitidos na corte como pajens do príncipe D. Juan. Hernando (nascido em 1488 e falecido em 1539) vai algumas vezes para a América, mas seu lugar é a Europa: vive cercado de livros, tem uma grande biblioteca.

Entre os primeiros europeus a viverem na costa brasileira, uma das figuras mais fascinantes e misteriosas é o Bacharel de Cananéia, assim denominado por Diogo Garcia de Moguér, que chegou àquele porto no litoral sul do que hoje é o Estado de São Paulo em 1528. O português que navegava sob bandeira espanhola, ficou impressionado com o sujeito que possuía 200 escravos, seis mulheres, dezenas de genros e em conseqüência, um milhar de índios dispostos a lutar por ele. Garcia chamou o fulano de Bacharel de Cananéia.

Para sorte do imperador, quando perdeu a batalha das especiarias, Carlos V já sabia claramente o potencial da América.