O Livro

Uma bela História, que diz respeito a todos nós

Quando recebi os originais de Cabeza de Vaca das mãos do jornalista Paulo Markun, logo foi possível captar, em sua descrição verbal dos acontecimentos envolvendo o explorador espanhol Álvar Núñes Cabeza de Vaca, o entusiasmo do autor. Depois de ouvir dele a descrição de algumas das histórias que formam esta epopeia quase inacreditável do século XVI, já era possível compartilhar deste entusiasmo. Ao terminar de ler os originais, já estava mais entusiasmado que o próprio Markun.

Os documentos utilizados na preparação deste livro estão preservados, em sua maioria, num edifício construído entre os anos de 1583 e 1646, sob ordens de Felipe II para sediar a primeira Academia de Belas Artes de Sevilha. Em 1781, o prédio, que não estava sendo utilizado, passou a abrigar arquivos históricos por ordens do rei Carlos III.

A narrativa de Cabeza de Vaca é uma das pioneiras da literatura de viagens, que tem no relato de Marco Pólo e na [[carta de Colombo]] dois textos essenciais. O interesse crescente sobre o Novo Mundo levou ao surgimento de obras que desprezavam os limites entre a ficção e a realidade, como as famosas cartas de Américo Vespúcio.

Nas duas ocasiões em que viveu nas Américas, entre 1527 e 1544, este fidalgo de Jerez de la Frontera viveu fantásticas aventuras. Na primeira, como tesoureiro real da expedição comandada por Pánfilo de Narváez, esteve na América do Norte. Sobreviveu a três naufrágios e percorreu 18 mil quilômetros - em boa parte a pé, nu e descalço e por pouco não morreu de fome, até curar um doente desenganado fazendo o sinal da cruz, ato que transformou ele e seus companheiros em messias, atraindo milhares de índios que o seguiam para todo lado.

O título da obra de Pero Hernandez pode parecer modesto, mas tem o objetivo de engrandecer os feitos do seu protagonista. Os Comentários tornaram-se populares como um gênero que apresentava o papel desempenhado por seus autores em grandes momentos históricos. Caso de Xenofonte, César e outros generais.

Paulo Markun nasceu em 1952 na cidade de São Paulo. Jornalista profissional desde 1971, formou-se na Escola de Comunicações e Artes da USP três anos mais tarde e trabalhou nos principais jornais e emissoras de televisão do país. Criou as revistas Imprensa e Radar, a edição paulista do jornal O Pasquim e a newsletter Deadline - sobre negócios da comunicação.

O best-seller de 1493 foi, sem dúvida, a carta de Cristóvão Colombo, anunciando o sucesso de sua primeira viagem rumo às Índias Ocidentais. Naquele ano, foram impressas pelo menos onze edições: na Espanha, Itália, França, Suíça e Holanda. Outras seis foram publicadas entre 1494 e 1497.