Contexto

Durante suas viagens ao Novo Mundo, Cabeza de Vaca provou bebidas muito diferentes do vinho, companheiro dele e de todos os navegadores do século XVI. Na América do Norte, a novidade foi uma bebida amarelada, feita com folhas parecidas com as do carvalho, que, depois de tostadas, eram fervidas em água.

No livro, o barco que levou Cabeza de Vaca e seus algozes do Rio da Prata para a Espanha é designado como um bergantim, embora em alguns documentos ele seja descrito como caravela. Um exame mais cuidadoso das circunstâncias leva a supor que não fosse mesmo caravela, já que a embarcação mandada construir por Cabeza de Vaca para seu retorno à Espanha levando a prata da Serra acabou destruída a mando de Domingos Irala.

Desde a alta Idade Média os imperadores recorriam ao papa para confirmar a incorporação ou apropriação de novas terras ao seu patrimônio.

Os autos e processos vinham das Índias em caixões lacrados nos navios de Comércio. Todos com um índice discriminando cada documento que nele se encontrava (ofícios, autos, processos, residências, consultas, testemunhos, informes, queixas, pretensões de vassalos particulares).

O termo capitulação designa um contrato ou acordo entre os monarcas e espanhóis e um particular para o descobrimento, povoamento e exploração de novas terras. A prática teve origem nos últimos séculos da Idade Média, particularmente com a reconquista dos territórios ocupados pelos muçulmanos.

Na madrugada de 24 de fevereiro de 1500, a princesa Joana trocou a festa que rolava no castelo de Ten Walle, em Gante[1], próximo a Bruxelas,por um local mais adequado ao ritual anunciado pelas contrações.Às três e meia da manhã, ouviu-se um choro de criança.

Quando Cristovão Colombo conseguiu a adesão dos reis católicos para a tese que vinha apresentando sem sucesso a várias cortes européias durante oito anos - a de que era possível alcançar as terras descritas por Marco Pólo em seu Livro das Coisas Maravilhosas navegando rumo ao oeste – havia uma razão muito prática estimulando a simpatia da coroa espanhola: o tratado de Alcovaças.

Os quatro sobreviventes da expedição de Pánfilo de Narváez - Cabeza de Vaca, Andrés Dorantes, Alonso del Castillo e o escravo Estebanico - só não comeram o pão que o diabo amassou em suas andanças pela Flórida e Novo México porque ali não havia trigo. Salvo uma ou outra temporada de fartura, tiveram de se contentar com o que havia em torno – raízes, aranhas, frutas muito amargas que só podiam ser tragadas junto com terra.

Para garantir que um quinto das riquezas das terras do Mar Oceano chegasse aos cofres reais, como mandava a lei, foi criada toda uma estrutura burocrática, a começar pela Casa da Contratação, que aos poucos, agregou muita atividade de controle a suas funções de ensino e pesquisa. 

Na Espanha do século XVI havia um fosso enorme não apenas entre nobres e plebeus, mas também entre assalariados.

Especiarias é a designação genérica de um leque de produtos comerciais, de origem vegetal ou animal, empregados como condimentos, remédios, excitantes ou para tingir ou perfumar produtos. Eram sementes, frutos, óleos e cascas: açafrão, aloés, canela, cássia, cravo-da-índia, cominho, gengibre, massis, mirra, noz moscada, olíbano, pimenta do reino, ruibarbo, sândalo.

Álvar Núñez Cabeza de Vaca orgulhava-se de ser um hijo dalgo, ou seja, um fidalgo. Na Espanha de sua época, os fidalgos integravam a porção menos relevante da nobreza. Nobreza e nobre e, eram termos pouco utilizados nas categorias da lei da época. Para se ter uma idéia, nas Ordenações Filipinas portuguesas, de 1604, a palavra nobre aparece apenas uma vez, contra dúzias de citações de peão.

A história da família Fugger – como a dos Welser – é uma impressionante escalada social, com seu processo acelerado de enriquecimento e de ampliação de seu poderio. Provenientes de uma aldeia da região da Baviera, os Fugger eram mestres-tecelões em Augsburg, em meados do século XIV. No início do século XV, já tinham uma posição de respeito na comunidade. Jakob Fugger I, nascido em 1469, fundou uma casa de comércio que seus filhos Ulrich e Jakob II (1459-1525) tornariam uma das potências comerciais do planeta.

Desde seu surgimento, Assunção possuía um cabildo, a câmara local onde eram tomadas deliberações relativas à vida do povoado. As primeiras atas abordavam questões relacionadas com a autonomia, negociações e tensões em relação à Espanha. Há também discussões e estabelecimento de leis locais; cartas de solicitações enviadas à metrópole, assim como o conteúdo das respostas; atas de eleições e nomeações e as publicações de autos de ordenanças elaboradas pelos governadores.

O cargo de inspetor de minas já existia no reino de Castela desde o século XIV. A esse funcionário cabia zelar para que a parcela destinada ao rei nas explorações minerais fosse devidamente paga, quando o sistema de exploração das jazidas era o da concessão. Os romanos já exploravam grande quantidade de minérios no território espanhol. Mas em Roma, as minas pertenciam, em princípio, ao proprietário do terreno e era proibido buscar metais em terreno alheio.

Parte da reação ao governo de Cabeza de Vaca por parte dos oficiais que já se encontravam na América foi devida à desaprovação das novas regras trazidas por ele quanto ao trato dos índios. De uma hora para a outra, foram obrigados a desfazer a aliança com os guaranis, ajudando-os na guerra a seus inimigos, assumindo uma situação de risco muito maior na colonização. Nessas relações, o compadrio que Cabeza de Vaca tentou reprimir tinha um papel importante.

As chamadas Leyes Nuevas de 1542 buscavam definir um novo tratamento para os povos que os conquistadores encontraram nas Índias Ocidentais. Abaixo, um resumo de seus pontos principais, em documento original, sem tradução:

Nos processos judiciais e documentos envolvendo o nome de Cabeza de Vaca aparecem várias moedas, o que complica os cálculos e as comparações. Quando conseguiu o posto de tesoureiro na expedição de Pánfilo de Narváez, Cabeza de Vaca teve de depositar dois mil ducados nos cofres da coroa. Um ducado, moeda de ouro de 233 quilates, valia 375 maravedis, o que significa que ele empenhou 750.000 maravedis, ou o equivalente a cinco anos e meio de seu futuro salário no posto.

Os espanhóis não encontravam uma passagem para o Pacífico, até que no final de 1517, Fernão de Magalhães, um experimentado guerreiro e navegador e o renomado astrônomo Ruy Faleiro, trocaram Portugal pela Espanha e apresentaram um projeto tão ou mais ousado do que o de Colombo: contornar o continente americano e navegar pelo Pacífico até chegar às Molucas, a tão sonhada terra das especiarias, que a dupla afirmava estar na área reservada à Castela, sem tocar uma só vez em território português.

Cristovão Colombo levou oito anos para encontrar quem acreditasse em seu sonho: alcançar as terras descritas por Marco Pólo em seu Livro das Coisas Maravilhosas. Desde 1479[1], o cabo Bojador, em frente ao deserto do Saara, era a fronteira marítima para os espanhóis. Dali para diante, costeando a África, estava o único caminho conhecido para as Índias – e as ilhas Molucas, a terra das especiarias.

Ao chegar à América, o homem europeu era tipicamente medieval. Vivia em um mundo que acreditava piamente, fora criado por Deus em seis dias, um universo cuja totalidade dos elementos já era conhecida pelo homem. O novo, para o homem medieval, não é algo que ele nem imagine do que se trata; é algo que ele já sabe que existe, mas ainda não teve a oportunidade de ver pessoalmente.

No início, os negócios com o Novo Mundo eram de responsabilidade da Casa Contratação e do bispo de Burgos, Juan Rodríguez de Fonseca, um protegido da rainha Isabel, que recebeu de um contemporâneo a seguinte descrição:

Todos dicen em esa Corte que sois um muy macizo cristiano y um muy desabrido obispo. Tambén dicen que sois largo, prolijo, descuidado e indeterminado em los negócios que tenéis entre manos...

O tratado de Tordesilhas, firmado na cidade espanhola de mesmo nome em 1494, foi uma tentativa de resolver no plano diplomático, as disputas entre as duas nações que lideravam a corrida dos “descobrimentos”. Em 1455, uma bula papal havia reconhecido o direito de Portugal sobre as terras descobertas no governo do infante d. Henrique.