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01 – Saques em La Palma
02- Roubo de vacas em Santiago de Cabo Verde.
02 – Proibição de comércio entre índios e europeus na viagem entre Santa Catarina e Assunção.
03 – Abandonar 13 cristãos desamparados no meio da mata durante essa viagem.
04 – Roubar provisões dos índios durante a viagem, enviando para isso seus criados à frente da expedição.
05 – Entregar 25 índios a aliados para serem mortos.
06 – Enforcamento de Aracaré.
07 – Uso de uma moeda cunhada com o brasão de uma cabeça de vaca para identificar-se.

Segue a transcrição de parte dos documentos referentes ao processo de Mencia de Carvajal, segunda esposa de Juan de Villalobos, a respeito de sua herança:

 

Diz a lenda que com toda a prata extraída do cerro de Potosí durante a época colonial seria possível construir uma ponte que atravessaria o Atlântico, unindo a Bolívia com a Espanha. Exageros à parte, a prata trasportada para a Espanha em pouco mais de um século e meio ultrapassava em três vezes as reservas […]

Separadas entre si por 600 quilômetros, as nove ilhas do Arquipélago dos Açores ficam na única rota de retorno para a Europa. Essa condição transformou-as em escala obrigatória das rotas transatlânticas tempo da navegação a vela. Situadas a 1500 quilômetros a oeste da Península Ibérica, na mesma altura do território português delimitado As ilhas de origem vulcânica, com uma paisagem marcada por tons de verde, castanho e preto e pontilhadas de cones, são divididas em três grupos:

Podemos dividir as acusações feitas a Cabeza de Vaca em três tipos:

A)    Acusações em torno de sua responsabilidade na degeneração das relações entre espanhóis e indígenas no Rio da Prata;
B)    Acusações relacionadas com a infidelidade de Cabeza de Vaca à Coroa e à Cristandade;
C)    Acuações relativas a problemas econômicos ou administrativos gerados por Cabeza de Vaca com os cristãos.

Roubos e Saques nas Canárias e em Cabo Verde

A primeira acusação apresentada pelo fiscal Juan de Villalobos era relacionada a saques que teriam sido realizados a mando de Cabeza de Vaca nas ilhas de la Palma e em Cabo Verde. Os homens de Álvar Núñez teriam roubado mantimentos de navios mercadores e também algumas vacas de habitantes locais, que usou para alimentar sua tripulação.

Comércio entre europeus e indígenas

Cabeza de Vaca teria proibido as relações comerciais entre indígenas e europeus durante a viagem entre Santa Catarina e Assunção, levando os cristãos a passarem necessidades.
Em sua defesa, o ex-governador afirmou que sua única intenção era racionalizar as relações entre os dois grupos, marcadas por confusões e fraudes. Para isso, delegou responsáveis pelo comércio e distribuição dos mantimentos entre as pessoas do grupo.

Desamparo de companheiros de viagem

Cabeza de Vaca é acusado de deixar 13 cristãos para trás, mesmo sabendo dos perigos, como a natureza e os índios hostis. Em consequência, três espanhóis morreram.
Álvar Núñez se defendeu dizendo que só deixou o grupo para trás porque um soldado fora mordido por um cachorro. Como não sabiam quanto tempo ele demoraria para se restabelecer, deixou-o com alguns homens tomando conta dele. Eles se reencontrariam em seguida.

Envio de criados à frente do grupo

Neste capítulo, o fiscal Juan de Villalobos acusa Cabeza de Vaca de enviar alguns de seus criados com um dia de vantagem às aldeias indígenas para tomar seus recursos a fim de depois vender aos espanhóis, durante toda a jornada até Assunção. Além disso, segundo o fiscal, esses emisarios muitas vezes deixavam de negociar para saquear os povoados indígenas, causando conflitos.

Degeneração das relações com índios.

Cabeza de Vaca teria entregue vários índios aliados (agazes) para serem mortos pelos guaranis, além de ter mandado cristãos matarem alguns desses índios.

Enforcamento de Aracaré

Cabeza de Vaca teria mandado matar o chefe guarani Aracaré, (ou Azacaré) aliado dos espanhóis. Isso teria gerado revolta entre os índios, que atacaram e mataram alguns cristãos.

Uso do brasão de Cabeza de Vaca

Cabeza de Vaca foi acusado de usar o brasão de sua família, e não o brasão real, para identificar a expedição perante os índios e submetê-los às suas vontades.
O réu explicou que fizera isso para facilitar, não por infidelidade. Segundo o ex-governador, havia muitas fraudes, homens que se aproveitavam dos índios usando o nome da monarquia espanhola.

Permissão para venda de índias

Colaboração com o canibalismo

Morte de dois caciques guaranis

Não foram localizados documentos a respeito disso. Todas as testemunhas que falam sobre andar na companhia de índios e serem guiados e protegidos por eles falam sobre como eles lhes foram fiéis e muito mais úteis que Cabeza de Vaca. No entanto, nenhuma menciona este caso em específico.

Confisco de bens de cristãos para benefício próprio

Acusado de tomar os bens dos cristãos durante uma entrada pelo rio Paraná e usá-los em seu próprio proveito, deixando os seus companheiros em necessidade, Cabeza de Vaca apresentou uma explicação pouco convincente, dizendo que tomou os bens para que os cristãos não maltratassem os índios com eles e para que os mantimentos não encarecessem . Disse ainda que depois que voltaram da entrada, devolveu todos os bens para os respectivos donos.
Não há informações a respeito disso nos testemunhos.

Morte de cristãos pelas mãos indígenas.

Mais um item que acusa Cabeza de Vaca de degenerar as relações com os índios da região. Dessa vez, com a agravante de que, por culpa das más relações estabelecidas pelo governador, os índios teriam matado cinco cristãos. Cabeza de Vaca se defendeu dizendo que os índios se revoltaram porque um dos espanhóis, Martín de Orue, matara um deles primeiro.
Nenhuma dessas acusações a respeito das relações com os indígenas tenha contrapartida de testemunhas cujos depoimentos foram transcritos para este trabalho.

Tentativa de monopólio dos recursos

Os inimigos de Cabeza de Vaca diziam que ele queria monopolizar o comércio com os indígenas na região de Porto dos Reis, para tirar proveito dele e por isso enviava criados seus a cada aldeia para que negociassem com eles. Segundo essa versão, os emissários tomavam os produtos a despeito da vontade dos nativos. O ex-governador e seus homens teriam inclusive partido para a violência.

Outros conflitos com índios em Porto dos Reis

Quando Cabeza de Vaca enviou um oficial a povoados de outra etnia, os socorinos, os soldados mataram todos e saquearam as cabanas, mesmo tendo sido recebidos pacificamente pelas mulheres e crianças da tribo.

Novos conflitos com índios em Porto dos Reis

Uma nova acusação a respeito de guerras com índios travadas durante a permanência em Porto dos Reis. As vítimas dessa vez eram os índios do local conhecido como Pueblo del Viejo. Cabeza de Vaca mais uma vez justificou os ataques, dizendo que eles faziam parte dos grupos que já os tinham atacado e que os guaranis só os “botaram pra correr”, não mataram.


Documentos

Pergunta:

Falta de recursos no Rio da Prata

Cabeza de Vaca é acusado de ter levado à América menos recursos que o necessário para a sobrevivência dos espanhóis que lá residiam. Ele rebate isso com uma referência à probanza feita por ele a respeito de quanto ele gastou para equipar sua viagem.
Temos apenas um dos seis depoimentos da probanza citada por Cabeza de Vaca, que confirma exatamente o que o réu diz.


Documentos:

Pergunta:

Substituição das armas em navio

Esta acusação diz respeito ao episódio ocorrido em Puerto de los Reyes. Estavam quase prontos para iniciar a entrada quando Cabeza de Vaca manda energicamente trocar a bandeira que identificava o navio como sendo parte do Império de Carlos V por uma que trouxesse o brasão de sua família. Além disso, também fala de um suposto hábito de Cabeza de Vaca de entitular-se Príncipe e Senhor daquelas Terras.

Brasão esculpido em pedra

Se refere à ocasião da tomada de posse da região de Cananéia, em que Cabeza de Vaca mandou esculpir as armas de sua família em vez das reais. Álvar Núñez diz que não mandou esculpir armas nenhumas e que poderiam ter feito isso para prejudicá-lo.
Em uma das probanzas feitas pela oposição algumas testemunhas confirmam o ocorrido.


Documentos:

Pergunta:
29. Que esculpió sus armas en las de su Majestad,

Defesa – Cabeza de Vaca

Desrespeito a provisões reais

O ofício de adelantado, muito presente na Espanha medieval, foi revitalizado no processo de descobrimento e conquista da América. O título era concedido pelo rei da Espanha (de forma vitalícia ou em propriedade) aos que fossem por ele autorizados a descobrir, conquistar e povoar as então chamadas Índias Ocidentais. Mas havia um detalhe: em termos práticos, o título de adelantado na América foi uma mera mercê honorária, sem função alguma.

Álvar Núñez Cabeza de Vaca teve um papel de destaque nos combates ocorridos em 1521 no Alcázar de Sevilha, então tomado pelos insurgentes da revolta dos comuneros. O palácio integra os Reales Alcázares, complexo palaciano composto por vários edifícios de diferentes épocas no centro da cidade. A fortificação original foi erguida sobre um antigo assentamento romano e depois, visigodo. Em seguida, tornou-se uma basílica onde foi enterrado São Isidoro.

Uma das passagens mais polêmicas da vida de Álvar Núñez Cabeza de Vaca ocorreu no tempo em que servia o quinto duque de Medina Sidonia, como camareiro. O jovem Alonso Pérez de Guzmán tinha problemas mentais e não conseguia nem assinar seu nome. Muito menos consumar o casamento com Ana de Aragão, neta do rei Fernando, o católico – que iria se casar com o irmão de Alonso.

Em 1532, durante o processo de anulação do mal sucedido casamento do duque, o nome de Cabeza de Vaca apareceria várias vezes, na condição de testemunha da impotência de seu chefe.

Na abertura dos Naufrágios, o relato de suas peripécias pela América do Norte, Cabeza de Vaca se apresenta como tesoureiro e alguacil da expedição de Pánfilo de Narváez à Flórida. Não era. O alguacil tinha salário vitalício e exercia as funções de juiz e governante local. O termo vê do árabe al-wazīr (‘o oficial’, de onde derivaria mais tarde a expressão vizir).

Ao assinar a capitulação real que lhe deu o poder no rio da Prata, Cabeza de Vaca conseguiu o posto de alguacil mayor.

O fato de ser neto do conquistador das ilhas Canárias e de ter nascido pouco antes da primeira viagem de Cristóvão Colombo fez com que Álvar Núñez Cabeza de Vaca  fosse muito influenciado pelos êxitos e fracassos dos conquistadores do chamado Novo Mundo.

A maneira mais simples de imaginar o que foi aquela época e como os espanhóis foram impactados pelo êxito de algumas empreitadas é voltar ao dia 9 de janeiro de 1534, quando a chegada de um navio vindo do Peru paralisou Sevilha. O relato é de Francisco Jerez, testemunha da cena,:

Uma bela História, que diz respeito a todos nós

Quando recebi os originais de Cabeza de Vaca das mãos do jornalista Paulo Markun, logo foi possível captar, em sua descrição verbal dos acontecimentos envolvendo o explorador espanhol Álvar Núñes Cabeza de Vaca, o entusiasmo do autor. Depois de ouvir dele a descrição de algumas das histórias que formam esta epopeia quase inacreditável do século XVI, já era possível compartilhar deste entusiasmo. Ao terminar de ler os originais, já estava mais entusiasmado que o próprio Markun.

Até 1580, quando houve a segunda fundação de Buenos Aires, Assunção foi o centro da colonização espanhola na região do Prata. A fortificação instalada em 15 de agosto de 1537 por atribuída a Juan de Salazar Espinosa, num local estratégico, às margens do rio Paraguai, ganhou importância a partir de 1541, quand Buenos Aires.

Em 11 de abril de 1512, Cabeza de Vaca formou ao lado dos soldados da chamada Liga Sagrada (os reis católicos da Espanha e os estados pontifícios) contra os franceses. Foi a maior batalha da guerra da Liga de Cambrai, parte das chamadas guerras italianas.  O combate, vencido pelos franceses, custou a vida de 20 mil espanhóis, mas o fato dos espanhóis e seus aliados não terem sido definitivamente batidos foi decisivo para a retirada dos franceses.

Durante suas viagens ao Novo Mundo, Cabeza de Vaca provou bebidas muito diferentes do vinho, companheiro dele e de todos os navegadores do século XVI. Na América do Norte, a novidade foi uma bebida amarelada, feita com folhas parecidas com as do carvalho, que, depois de tostadas, eram fervidas em água.

No livro, o barco que levou Cabeza de Vaca e seus algozes do Rio da Prata para a Espanha é designado como um bergantim, embora em alguns documentos ele seja descrito como caravela. Um exame mais cuidadoso das circunstâncias leva a supor que não fosse mesmo caravela, já que a embarcação mandada construir por Cabeza de Vaca para seu retorno à Espanha levando a prata da Serra acabou destruída a mando de Domingos Irala.

O primeiro europeu a desembarcar no litoral que a capitulação autorizada por Carlos V atribuiria a Cabeza de Vaca foi um francês. Binot Paulmier de Goneville, nobre da Normandia (região norte da França), partiu do porto de Honfleur em 24 de junho de 1503, no comando do l'Espoir (o Esperança). Seu destino eram as Índias Orientais. Fez escala em Cabo Verde e em vários pontos do litoral africano.

Desde a alta Idade Média os imperadores recorriam ao papa para confirmar a incorporação ou apropriação de novas terras ao seu patrimônio.

Os autos e processos vinham das Índias em caixões lacrados nos navios de Comércio. Todos com um índice discriminando cada documento que nele se encontrava (ofícios, autos, processos, residências, consultas, testemunhos, informes, queixas, pretensões de vassalos particulares).

Sebastião Caboto nasceu em Veneza em 1474. Sua família era de mercadores bem sucedidos com o comércio de pimenta e seu pai, o famoso explorador John Cabot.

Em 1490, Sebastião mudou-se com a família para Bristol na Inglaterra, uma das mais importantes cidades e portos da Europa de então. O rapaz envolveu-se com os negócios da família e aprendeu muito sobre cartografia, navegação, astronomia e matemática.

Abaixo, a repdoução de algumas partes dos autos do processo sobre a nulidade do casamento entre o duque Alonso e Ana de Aragón em que Cabeza de Vaca aparece como alcoviteiro.

 

O termo capitulação designa um contrato ou acordo entre os monarcas e espanhóis e um particular para o descobrimento, povoamento e exploração de novas terras. A prática teve origem nos últimos séculos da Idade Média, particularmente com a reconquista dos territórios ocupados pelos muçulmanos.

Na madrugada de 24 de fevereiro de 1500, a princesa Joana trocou a festa que rolava no castelo de Ten Walle, em Gante[1], próximo a Bruxelas,por um local mais adequado ao ritual anunciado pelas contrações.Às três e meia da manhã, ouviu-se um choro de criança.

O Chaco paraguaio é parte do Chaco Sul Americano, uma extensa planície que alcança parte do território da Bolívia e Argentina, num total de 1.280.000 quilômetros quadrados, quase um quarto do território brasileiro. A fragilidade de seu ecossistema decorre de condições climáticas especiais, aliadas a um solo de formação recente. Chove muito pouco e sem qualquer regularidade.

Andrés Dorantes de Carranza nasceu por volta de 1500 en Béjar del Castañar, en Castilla la Vieja, filho de Pablo Dorantes, natural de Béjar e morador de Gibraleón. Embora de origem nobre, alistou-se na expedição de Pánfilo de Narváez como comandante de Infantaria. Depois de tornar-se um dos quatro sobreviventes da aventura – ao lado de Cabeza de Vaca, Alonso del Castillo e do escravo conhecido como Estebanico, acabou ficando na América. Segundo seu filho Baltasar, o Vice-rei de Mendoza casou Dorantes com uma viúva rica da Nova Espanha.