Fiscal X Pizarro

Na longa batalha judicial entre a coroa e os herdeiros de Cristovão Colombo em torno dos direitos sobre as terras descobertas pela Espanha a partir de 1492, ele tentou provar que o navegador tivera um papel secundário no descobrimento da América.
Em 1500, Colombo perdeu o cargo de vice-rei e governador das Índias e a partir de então a coroa passou a considerar letra morte os privilégios a que ele tinha direito. Depois de sua morte, seu filho assumiu o caso. Cosmógrafo, matemático, historiador e dono de uma das maiores bibliotecas da época, Hernando Colombo empenhou seu prestígio e seus conhecimentos na defesa da memória e dos privilégios do pai.
Para rebater seus sólidos argumentos – os especialistas concluiriam mais tarde que a coroa simplesmente ignorou os termos de um contrato juridicamente irretocável – Juan de Villalobos reuniu testemunhas que negaram os feitos de Colombo e reforçaram o papel de Martín Alonso Pinzón, comerciante e navegador de Palos de la Frontera que, junto com o irmão Vicente Yañez, armara as caravelas Pinta e Niña. De acordo com esses depoentes, Martín Alonso teria inclusive um mapa copiado da biblioteca do papa Inocêncio VIII, decisivo para o êxito da viagem.
Durante os interrogatórios, o fiscal induziu as respostas das testemunhas, perguntando, por exemplo, se as testemunhas sabiam, acreditavam ou tinham ouvido dizer que as Capitulações de Santa fé “são coisa muito danosa e prejudicial e enormíssima lesão à coroa real.” Em seu relatório, classificou Cristovão Colombo como um estranjeiro que carecia “de opinião e de recursos” para reclamar direitos sobre as terras do Novo Mundo. Nem assim convenceu os juízes do Conselho, que rejeitaram sua tese e ainda submeteram-no à censura pública.
Villalobos deu troco mais adiante no processo sobre a morte de Diego Almagro, um dos conquistadores do Peru. Além de apontar os irmãos Gonzalo e Francisco Pizarro como os mentores do assassinato, Villalobos os acusou de subornar a cúpula do Conselho, na esperança de se livrarem das acusações. A denúncia não foi investigada e os juízes acusaram o fiscal de tentar incriminar os irmãos Pizarro sem que houvesse evidências concretas.
Gato escaldado, Villalobos informou o imperador, que entrou no circuito, destituindo os juízes, aplicando-lhes multas pesadíssimas e reformando o Conselho. No fim da história, numa inequívoca demonstração de gratidão, Carlos V ainda duplicou o salário do fiscal que passou a ganhar tanto quanto o presidente do Conselho.

Na longa batalha judicial entre a coroa e os herdeiros de Cristovão Colombo em torno dos direitos sobre as terras descobertas pela Espanha a partir de 1492, ele tentou provar que o navegador tivera um papel secundário no descobrimento da América.

Em 1500, Colombo perdeu o cargo de vice-rei e governador das Índias e a partir de então a coroa passou a considerar letra morte os privilégios a que ele tinha direito. Depois de sua morte, seu filho assumiu o caso. Cosmógrafo, matemático, historiador e dono de uma das maiores bibliotecas da época, Hernando Colombo empenhou seu prestígio e seus conhecimentos na defesa da memória e dos privilégios do pai.

Para rebater seus sólidos argumentos – os especialistas concluiriam mais tarde que a coroa simplesmente ignorou os termos de um contrato juridicamente irretocável – Juan de Villalobos reuniu testemunhas que negaram os feitos de Colombo e reforçaram o papel de Martín Alonso Pinzón, comerciante e navegador de Palos de la Frontera que, junto com o irmão Vicente Yañez, armara as caravelas Pinta e Niña. De acordo com esses depoentes, Martín Alonso teria inclusive um mapa copiado da biblioteca do papa Inocêncio VIII, decisivo para o êxito da viagem.

Durante os interrogatórios, o fiscal induziu as respostas das testemunhas, perguntando, por exemplo, se as testemunhas sabiam, acreditavam ou tinham ouvido dizer que as Capitulações de Santa fé “são coisa muito danosa e prejudicial e enormíssima lesão à coroa real.” Em seu relatório, classificou Cristovão Colombo como um estranjeiro que carecia “de opinião e de recursos” para reclamar direitos sobre as terras do Novo Mundo. Nem assim convenceu os juízes do Conselho, que rejeitaram sua tese e ainda submeteram-no à censura pública.

Villalobos deu troco mais adiante no processo sobre a morte de Diego Almagro, um dos conquistadores do Peru. Além de apontar os irmãos Gonzalo e Francisco Pizarro como os mentores do assassinato, Villalobos os acusou de subornar a cúpula do Conselho, na esperança de se livrarem das acusações. A denúncia não foi investigada e os juízes acusaram o fiscal de tentar incriminar os irmãos Pizarro sem que houvesse evidências concretas.

Gato escaldado, Villalobos informou o imperador, que entrou no circuito, destituindo os juízes, aplicando-lhes multas pesadíssimas e reformando o Conselho. No fim da história, numa inequívoca demonstração de gratidão, Carlos V ainda duplicou o salário do fiscal que passou a ganhar tanto quanto o presidente do Conselho.

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