Cronologia

1485-1492

 

– Período mais provável para o nascimento de Álvar Núñez Cabeza de Vaca

 

1503

 

– O jovem Cabeza de Vaca é listado entre os caballeros de Jerez e recebe apoio do duque, neste ano, com uma soma de 15.000 ducados, como atestam livros de balanço no Arquivo Ducal de Medina Sidonia.

 

1503-1527

 

– Presta serviço a quatro duques de Medina Sidonia[1] [terceiro, quarto, quinto e sexto][2]

 

1506

 

Abril, 16 – Morre o avô materno de Cabeza de Vaca, Pedro de Vera Mendoza. O documento que divide as suas posses identifica Dona Tereza Cabeza de Vaca como guartadora e tutora de Álvar Núñez.

 

Abril, 28 – Cabeza de Vaca requer um curador ad litem [guardador temporário] para cobrar pessoas que deviam dinheiro a seu falecido pai (como era menor de 25 anos, não podia responder juridicamente por si mesmo). Indica para isso Martín Gil, escudeiro e morador de Jerez de la Frontera. A mãe de Álvar Núñez é, então, sua guardadora na cidade natal e Martín Gil, seu curador ad litem em Sevilha.

 

1509

 

– Morre Dona Tereza Cabeza de Vaca, mãe de Álvar Núñez.

 

Julho, 5 – Álvar Núñez e seu irmão Hernando de Vera comparecem diante do alcaide-mór de Jerez de la Frontera e requerem um guardador [seu tio, Pedro de Vera] para substituir sua mãe, recentemente falecida.

 

Agosto, 14 – Pedro de Vera é nomeado tutor dos irmãos mais novos de Cabeza de Vaca, Juan e Martín.

 

1511

 

– Parte da casa de sua tia Beatriz [Cabeza de Vaca ou Figueroa], que era como sua “segunda mãe”, e vai para campos de batalha, na Itália. Nesse período, se ausenta da Casa Ducal de Medina Sidonia.

 

– Agosto – Cabeza de Vaca navega com Alonso de Carvajal a Nápoles, que tinha sido recentemente reconquistada por Fernando de Aragão em 1504 e era governada desde 1509 pelo vice-rei Ramón de Cardonna, sob a jurisdição do Conselho de Aragão. O objetivo era ajudar as forças do Papa Julius II contra a agressão dos franceses, comandados por Gaston de Foix, o duque de Nemours. O Papa lutou contra os franceses pela posse de Bolonha. Os fatos sugerem que a expedição era formada em sua maioria por soldados que estavam planejando acompanhar o rei Fernando de Aragão em uma expedição de conquista ao norte da África, e este pode ter sido o lugar para onde Álvar Núñez tinha intenções de ir, em princípio, quando a expedição foi redirecionada para a Itália.

 

1512

 

Fevereiro, 4 – A batalha contra os franceses produz retração por parte das forças papais.

 

Abril, 11 – Participa da batalha de Ravena, na qual os franceses derrotam os espanhóis. Depois disso, aparece no cerco das terras e fortalezas do duque de Ferrara. Como prêmio, é nomeado alferes da cidade de Gaeta, próximo a Nápoles.

 

1513

 

– Cabeza de Vaca retorna à Casa Ducal de Medina Sidonia e ali testemunha uma novela em torno da sucessão no ducado.

 

Março, 20 – Após a morte de Enrique de Guzmán, herdeiro do ducado de Medina Sidonia, Pedro Girón – cunhado de Enrique – tenta tomar a casa de Medina à força, com o nome de Pietro Martire d’Anghiera. O próximo herdeiro legítimo, Alonso Pérez, ainda não havia chegado à maioridade, tinha problemas mentais e se tornara um fardo para sua mãe, Leonor de Guzmán y Zúñiga. O processo relativo à anulação de seu casamento colocaria Cabeza de Vaca na condição de alcoviteiro.

 

1516

 

– Juan Díaz de Solís chega pela primeira vez ao Rio da Prata e morre em conflito com índios hostis.

 

1518

 

– No caminho para o Oceano Pacífico, Fernão de Magalhães passa alguns meses na região do Rio da Prata.

 

1519

 

– Cabeza de Vaca é citado em documentação do Arquivo de Protocolos de Sevilha como camareiro do duque [Alonso Pérez de Guzmán ou seu irmão Juan Alonso].

 

1520

 

– Data aproximada do casamento de Cabeza de Vaca com Maria Marmolejo, filha de García Marmolejo e Isabel de Herrera.

 

– Maria Marmolejo move um processo com o intuito de defender seus direitos à herança paterna.

 

Setembro, 16 – Cabeza de Vaca combate a revolta Comunera, que se estende até 1521. Crê-se que o casamento de Cabeza de Vaca oferece a chave para a compreensão do seu envolvimento na luta aberta contra os conversos. Primeiro, porque os Marmolejos eram uma família de conversos, e segundo, porque Álvar Núñez servia lealmente a casa de Medina Sidonia, que protegeu os conversos, derrotando a casa rival dos Arcos, que havia promovido a insurgência.

 

Dezembro, 5 – Enviado pelo duque de Medina Sidonia a Valladolid, testemunha a tomada de Tordesilhas.

 

Dezembro, 20 – Está presente na libertação de Tordesilhas pelo braço direito do rei, Fradique Enríquez.

 

1521

 

Março, 10 – A ameaça de um movimento genuinamente popular faz com que os ducados de Medina Sidonia e dos Arcos se unam para defender o controle aristocrático da cidade.

 

Abril, 23 – Cabeza de Vaca segue as forças imperiais até Villalar, onde os Comuneros são finalmente derrotados.

 

1522

 

– Participa da batalha de Puente de la Reina, em Navarra, numa das primeiras guerras ocasionadas pela rivalidade entre Carlos V e Francisco I de França.

 

1524

 

Agosto, 4 – Transfere as posses de seu irmão Juan (recentemente falecido) para sua irmã María. Neste documento, descreve a si mesmo como camareiro do “ilustre e magnífico duque de Medina Sidonia”.

 

1525

 

– Finda a divisão da herança, Maria Marmolejo é contemplada com uma modesta soma.

 

– Aleixo Garcia, um português sobrevivente da expedição de Juan Díaz de Solís ao Rio da Prata em 1516, viaja da Ilha de Santa Catarina até a beira do império inca procurando por riquezas. Com ele seguiam outros 5 ou 6 europeus e dois mil índios guaranis. Depois de conseguir alguma riqueza, Garcia é morto por índios nas proximidades do alto do rio Paraguai, no seu caminho de volta à costa.

 

1526

 

– Enquanto deveria estar em viagem às ilhas Molucas, Sebastião Caboto sobe o Rio da Prata com o intuito de explorar a região.

 

Novembro, 17 – Cédula real, inclusa na capitulação dada Cabeza de Vaca em 1540, ordena o fim dos maus tratos aos índios por parte dos espanhóis, mesmo que esses tivessem a intenção de convertê-los à cristandade. Mais ou menos 20 conquistadores, incluindo Pánfilo de Narváez (1526) e Hernando de Soto (1537), adicionaram esta cédula às suas capitulações.

 

1527

 

Fevereiro, 15 – Após deixar seu posto no palácio do duque de Medina Sidonia, Cabeza de Vaca parte para a Flórida na expedição de Narváez. Com a posição de tesoureiro real e com a garantia de ser regidor da primeira cidade a ser estabelecida, Álvar Núñez deve ter deixado a Espanha confiante em encontrar um “outro México” e viver de acordo com a tradição da família de Vera de conquista e governo militar. Embora o ciclo do ouro nas ilhas caribenhas – cuja exploração era de aluvião – estivesse próximo do fim, a Espanha e seus conquistadores continuavam sonhando com ouro.

Como tesoureiro da expedição, o salário anual de Álvar Núñez era de 130.000 maravedís.[3] Ele receberia o pagamento “do dia em que deixa o porto de Sanlúcar por tanto tempo quanto exercer o cargo”. Não havia benefícios hereditários; Cabeza de Vaca deveria servir como tesoureiro por quanto tempo quanto o rei assim quisesse. Suas responsabilidades abrangiam coletar rendimentos reais, cuja fonte mais importante era o quinto, a porção real (geralmente um quinto) de toda a produção da colônia; manter a contabilidade de todas as transações; coletar todos os rendimentos reais daquele território, incluindo a porção real de “escravos, ouro base [guanín], pérolas, pedras preciosas e o que mais nos pertença”, assim como a taxa de 5% sobre outro e prata derretidos, a renda de todos os trabalhos com sal, os 7,5% relativos a todos os bens importados; pagar os salários dos oficiais reais; fiscalizar o tratamento dado aos índios e relatar os fatos ao imperador.

 

Junho, 17 – Pánfilo de Narváez parte do porto de Sanlúcar de Barrameda, com poder e comando de Sua Majestade para conquistar e governar as províncias desde o Río de las Palmas até o Cabo da Flórida. Sua frota de 5 navios levava cerca de 600 homens.

 

1528

 

Abril – A expedição que leva Álvar Núñez parte de Cuba em direção à Flórida. Depois de um furacão, haviam sobrado apenas 400 homens e 80 cavalos.

 

Abril, 12  Sexta-feira Santa. Chegam à costa oeste da Flórida, possivelmente na  Baia de la Cruz (Tampa Bay). Numa cabana, encontram um objeto de ouro, que excita a imaginação de todos. Pouco depois, os índios dão a entender que o objeto viera de um lugar chamado Apalache, muito rico.

 

Maio, 1 – Narváez separa seus homens: os barcos seguem em busca do porto de Pánuco e a tropa adentra o território rumo à Apalache. Cabeza de Vaca contesta a decisão, mas acaba seguindo o grupo que irá a pé.

 

Junho, 25 – Os espanhóis chegam a Apalache, um amontoado de choças sem qualquer riqueza.

 

Julho, início – Chegada a Aute, onde encontram choças queimadas e mantimentos. Pouco adiante, numa baía, resolvem construir barcos para tentar encontrar Pánuco.

 

Setembro, 22 – Depois de um período difícil, de muito trabalho e pouca comida, os 250 espanhóis devoram o último cavalo e partem do local que batizaram, apropriadamente, de Baía dos Cavalos em cinco barcos precários e abarrotados.

 

Novembro, 6 – Depois de percorrer o lado ocidental da Flórida e o litoral dos estados do Alabama, Mississipi e Lousiana, até a costa do Texas, Cabeza de Vaca se separa dos outros barcos – num episódio em que Pánfilo de Narváez teria mandado cada um cuidar de si. Em seguida, naufraga e perde tudo, sendo acolhido pelos índios numa ilha que batizariam de Mau Fado.

 

Novembro, meados – Narváez desaparece no mar, durante a noite, quando seu barco perde a âncora improvisada com pedras. Jamais seria encontrado. 

 

1529

 

Início do ano – Cabeza de Vaca reencontra outro grupo de espanhóis, que viajava no barco comandado por Alonso del Castillo e Andrés Dorantes. Eles tentam partir da ilha, mas o barco sofre outro naufrágio.

 

Fevereiro – As duas tribos que vivem na ilha se separam. Cabeza de Vaca acompanha uma delas. Dorantes e Castillo seguem a outra. No continente, Cabeza de Vaca passa a trabalhar como comerciante, fazendo longas viagens pela região. Algum tempo mais tarde, ele volta a viver na ilha do Mau Fado, onde o último sobrevivente de seu grupo, Lope de Oviedo, recusa-se terminantemente a fugir, por não saber nadar.  

 

1532

 

Março, 19 – É concluída coletânea de depoimentos envolvendo o nome de Cabeza de Vaca. Ele era, então, considerado morto.[4] Esta coletânea fazia parte de um julgamento sobre a anulação do casamento do duque e da duquesa, Don Alonso de Guzmán e Dona Ana de Aragão e a validação do casamento de Dona Ana com o duque Juan Alonso de Guzmán. O motivo da anulação era a impotência sexual de Alonso Pérez, mas o aspecto mais notável é que mais ou menos 4 testemunhas afirmaram saber do fato não por terem sido testemunhas, mas porque o “falecido” Cabeza de Vaca teria contado a elas na época em que servia ao duque em seu palácio [entre 1513 e 1527]. Cabeza de Vaca aparentemente foi usado como a principal testemunha em favor da anulação do casamento justamente pelo fato de estar desaparecido e morto, provavelmente.

 

1533

 

Primavera – Cabeza de Vaca consegue dobrar a resistência de Lope de Oviedo e os dois deixam a ilha rumo ao sul. Ao encontrarem uma tribo pouco amigável, Oviedo decide retornar à ilha. Não seria mais visto. Cabeza de Vaca reencontra Castillo, Dorantes e o escravo deste, Estebanico, passando a viver com os mariames, também na condição de escravos.

 

1534

 

Setembro – O quarteto deixa a tribo dos mariames e junta-se aos avavares. Começam a realizar curas fazendo o sinal da cruz e rezando os doentes. Atraem assim a atenção de muitas tribos.

 

1535

 

Junho – Álvar Núñez deixa os índios Avavares, com quem convivia então. Parte, primeiro, em direção ao sudoeste; visita os índios Maliacones, Arbadaos e, aparentemente, os Cuchendados. Cruza, então, o Rio Grande até o que é, hoje, o México. Em vez de ir para o Sul, por Pánuco, vai em direção ao noroeste para evitar os índios da costa.

 

Agosto, 24 – Parte para o Rio da Prata a expedição de Pedro de Mendoza. Nela, viajam Alonso Cabrera (que viria a ser arquiinimigo de Álvar Núñez), Felipe de Cáceres, Pedro de Álvarado. A expedição de Pedro de Mendoza havia sido concebida não para desbravar, mas para estabelecer-se e explorar recursos na região. Onze navios levavam entre 1200 e 1500 pessoas, 100 cavalos e uma grande quantidade de animais domésticos. Esta expedição era comparável em tamanho somente à de Colombo (em 1493), à de Ovando (em 1502) e a de Pedrarias Dávila (em 1514) .

 

1536

 

Início do ano – O quarteto de sobreviventes chega ao Povoado dos Corações, próximo ao rio Yaqui, no Méxivo.

 

Abril – Junto ao rio Sinaloa, Cabeza de Vaca encontra o capitão Diego de Alcaráz. O espanhol se espanta com a figura estranha de um homem quase nu e barbado. “Eles me encararam por muito tempo, tão impressionados que não conseguiam falar comigo ou responder-me”, escreveria mais tarde Álvar Núñez.

 

Maio, 1 – Álvar Núñez conhece Melchior Díaz em Culiacán. Homem de boa reputação, prefeito e capitão da província da Nova Galícia, Díaz estava ansioso para ajudar os indígenas. Como a população local havia partido e seu trabalho havia sido perdido, Díaz considerava a região desperdiçada. Álvar Núñez podia ajudá-lo, chamando os índios fugitivos para que eles se estabelecessem como fazendeiros na terra desocupada. Díaz faz da cidade de São Miguel seu quartel-general na missão de trazer de volta os índios foragidos.

 

Maio, meados de – Cabeza de Vaca e seus companheiros partem de San Miguel até Compostela e depois para a Cidade do México.

 

Outubro – Cabeza de Vaca está pronto para partir para a Espanha. Nos últimos dois anos, caminhara quase 4500 quilômetros, desde a costa do Texas. A partida teve de ser adiada, pois uma tempestade destruiu o navio que o levaria.

 

1537

 

– No início do Ano, Pedro de Mendoza desiste da colonização do Rio da Prata. Após um curto período de convivência pacífica, os índios da região (caçadores e pescadores nômades) se cansaram de prover alimentação aos conquistadores e passaram a atacar. Inexperiência, doença, falta de comida e guerra tinham derrotado os colonizadores, dos quais em pouco tempo haviam morrido mais de 1000. Mendoza decide velejar de volta à Espanha para buscar ajuda, num navio chamado Magdalena. Como lugar-tenente, nomeou o Capitão Juan de Ayolas, que saíra em expedição de exploração alguns meses antes.

 

– Bulas do papa Paulo III, Veritas Ipsa e Sublimis Deus, lidaram com a questão da escravidão indígena e sua humanidade e racionalidade.

 

Fevereiro, 12 – Juan de Ayolas parte rumo ao Chaco com 130 homens, deixando Domingo de Irala no comando.

 

Abril, 20 – Enquanto Cabeza de Vaca parte do México em direção à Espanha, o Imperador nomeia Hernando de Soto como governador e adelantado da Flórida, cargo que Álvar Núñez pretendia obter.

 

Julho, 26 – Pedro de Mendoza morre de fome a caminho de Lisboa, no seu barco que navegava pelos Açores. Seu corpo é lançado ao mar.

 

Julho, 1 – Após partir de Havana, o barco de Álvar Núñez chega a Açores. O navio escapa de uma ameaça de um corsário francês e fica sob proteção de uma armada portuguesa comandada por Diego de Silveira; em seqüência, os barcos vão à ilha Terceira[5] e esperam lá por quinze dias antes de partirem para Lisboa. Ali estavam os integrantes da expedição de Pedro de Mendoza e entre eles, o piloto Gonçalo da Costa.[6] Cabeza de Vaca teria, então, ouvido falar dos problemas e das riquezas do Rio da Prata.

 

Agosto, 9 – Alvár Núñez chega a Lisboa, última escala antes da Espanha. Naquele mesmo mês, ele desembarca em sua terra e encarrega seu primo, Pedro Estopiñan Cabeza de Vaca, de organizar uma probanza [algo como uma prova jurídica] que comprove os feitos e a reputação de Pedro de Vera Cabeza de Vaca, seu avô paterno. Ainda em agosto, Alonso Cabrera chega à Corte para apresentar relatório dos eventos do Rio da Prata e, em sua reunião com o Imperador, é apresentado como inspetor das minas do Rio da Prata. Cabrera recebe uma provisão real que faria de Juan de Ayolas governador e, se ele não retornasse, o título seria entregue a quem Ayolas houvesse designado como seu lugar-tenente.

 

Agosto, 13 – Oficiais da Casa da Contratação, em Sevilha, informam a imperatriz de que em breve despachariam para o Rio da Prata quatro barcos que estavam sendo aprontados em Sanlúcar de Barrameda. Comunicam ainda que (Felipe de) Cáceres, o fiscal do Rio da Prata havia chegado a Lisboa e preparava um relatório acerca do infortúnio que tinham vivido Mendoza e sua companhia naquela conquista.

 

Agosto, 15 – Juan de Salazar de Espinosa, Gonzalo de Mendoza e Domingo Martinez Irala procuravam por Ayolas pelos rios Paraná e Paraguai. Neste dia, Salazar funda uma cidade, Nossa Senhora de Assunção, na baía de Caracará, na margem leste do rio Paraguai. Primeiro, havia apenas uma fortificação. Ulrich Schmidl, um soldado germânico que acompanhara Pedro de Mendoza, escreveu que os índios guaranis locais construíram a casa com pedra, terra e madeira. Por outro lado, Francisco de Villalta, que também viera com Mendoza, disse que os índios não estavam dispostos a fazer nada pelos espanhóis, que tiveram que construir por si mesmos.

 

Setembro, 12 – Carta da imperatriz anuncia à Casa da Contratação diz que dois mercadores de Sevilha – Martin de Orduña e Domingo de Zornoza – estavam preparando certos navios para navegar até o Rio da Prata sob o comando de Alonso Cabrera. Quando eles estavam quase prontos, notícias chegaram da morte do governador Pedro de Mendoza, e as preparações foram detidas. A imperatriz determina que mantenham a operação, já que Mendoza deixara Juan de Ayolas como seu sucessor no Rio da Prata. Em setembro, também, Alonso Cabrera recebe cédula real assinada pela rainha que confirmava o envio de ajuda aos espanhóis no Rio da Prata. Somente no caso de Mendoza não ter deixado lugar-tenente ou se este estivesse morto e não tivesse nomeado outra pessoa, as pessoas poderiam eleger como governador e capitão general da província aquele que perante Deus e suas consciências, parecesse o mais apropriado, dizia o documento. Se a pessoa que tivesse sido eleita também morresse, apenas mais uma eleição poderia ser feita. Esta cédula foi única, porque em nenhum lugar no Império Espanhol na América existiu tal concessão de eleições populares.

 

Outubro, 31 – A preparação da probanza sobre Pedro de Vera é autorizada em Jerez de la Frontera. Sua existência evidencia a intenção de Álvar Núñez ao prepará-la: usá-la como ajuda no tribunal, para que ele fosse um candidato merecedor de outra autorização para exploração e conquista nas Índias.

 

Novembro, 8/Dezembro, 24 – É entre esse período que Cabeza de Vaca se apresenta à corte em Valladolid. Ele teria, provavelmente, levado a probanza preparada por seu primo, com intenção de receber uma comissão real (tanto pela probanza, como pelo relato de sua expedição). Frustrado em seu desejo de ganhar o governo da Flórida, recebe o convite para ser o braço direito do novo governador, Hernando de Soto, mas recusa a oferta.

 

1538

 

– Os freis franciscanos Bernardo de Armenta, de Córdoba, e Alonso Lebrón, da ilha da Grande Canária, chegam à América com vários outros franciscanos e, desde então, passam a ensinar os índios.

 

– Juan de Ayolas e seus homens voltam ao porto de Candelária vindos do oeste, trazendo ouro e prata. Irala tinha ordens de estar esperando lá com os barcos, mas ele tinha ido a algum outro lugar. Depois de quatro meses, os índios paiaguás atacaram, matando Ayolas, 80 outros espanhóis e alguns carregadores

 

Abril – Hernando de Soto parte para a América.

 

Outubro – Alonso Cabrera chega Buenos Aires, com a determinação real de decidir o mando na cidade e estabelece um impasse, pois Pedro de Mendoza deixara Francisco Ruiz Galán no controle de Buenos Aires. Juan Salazar de Espinosa continuava em busca de Ayolas e Domingos Irala, que o sumido nomeara seu lugar-tenente também buscava o poder.

 

1539

 

Janeiro – Alonso Cabrera faz valer a cédula real de 12 de setembro de 1537 e declara Juan de Ayolas sucessor de Mendoza. Na ausência do governador, era preciso ter um substituto. apitão Francisco Ruiz Galán, nomeado lugar-tenente de Mendoza antes de partir para a Espanha em 1537 e Domingos Irala, braço direito de Ayolas. Por pouco não surge um conflito entre os rivais, mas Irala leva a melhor. 

 

Meados de 1539 – O já governador Irala deixa Assunção, em busca de Ayolas e da Serra de Prata. Passa semanas com água pela cintura, mas não encontra nem um nem outra.

 

1540

 

– No início do ano, chegam à Espanha notícias da possível morte de Juan de Ayolas. Representantes da província vão à Corte desde o Rio da Prata para informar sobre as privações que lá sofrem e para buscar ajuda e reforços, antes que todos morram. De acordo com o interrogatório preparado para a probanza de Cabeza de Vaca e o testemunho de diversas pessoas, esses oficiais eram o fiscal real do Rio da Prata, Felipe de Cáceres, e o piloto, António Lopez.

 

Março, 18 – Um contrato real é firmado com Cabeza de Vaca, cedendo-lhe o governo da província do Rio da Prata e o governo de todas as novas terras que ele viesse a descobrir, conquistar, e estabelecer-se. No entanto, Ayolas seria feito governador, se ainda estivesse vivo; cabendo a Álvar Núñez o controle da ilha de Santa Catarina por doze anos. Caso a morte de Ayolas se confirmasse, o cargo iria para Cabeza de Vaca. Seu salário anual era de 2000 ducados, mais outros recursos vindos de impostos, pagados somente pelas receitas da província. Para obter o posto, deveria gastar pelo menos 8000 ducados na compra de cavalos, suprimentos, roupas, armaduras, munições e outras coisas para a colônia.

 

Abril, 15 – Cabeza de Vaca recebe sua “licença” para “conquistar e pacificar e popular as terras”. C

Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *