Tancredo Neves

Quinto dos doze filhos de Francisco de Paula Neves, um misto de comerciante e político com Antonina de Almeida Neves, Tancredo de Almeida Neves nasceu em São João del Rei a 4 de março de 1910. Jogou futebol quando garoto, mas acabou se tornando um craque na política. Foi deputado, ministro, governador e presidente eleito – o primeiro de oposição. Mas não assumiu o cargo.

Depois de prestar exame para diversos cursos, Tancredo formou-se em Direito em Belo Horizonte. Participou das manifestações que precederam a Revolução de 30, prestou concurso para promotor de Justiça e elegeu-se vereador pelo Partido Progressista, chegando a presidente da Câmara Municipal de São João del Rei, até perder o mandato no Estado Novo.

Em 1947, já filiado ao PSD, elegeu-se deputado estadual com 5.266 votos e liderou a oposição ao governador udenista Milton Campos. Três anos mais tarde, conquistou o mandato de deputado federal. Era líder do governo quando Getúlio Vargas o nomeou ministro da Justiça. Nessa condição, acompanhou de perto a crise que levou ao suicídio do presidente. Chegou a propor que Vargas colocasse as tropas na rua e decretasse o estado de sítio: “a imprensa e os parlamentares mais exaltados ficariam mais dóceis, mais prontos ao entendimento. E a repressão no meio militar seria muito mais eficiente”, diria mais tarde. Chegou ao quarto de Getúlio instantes após o presidente ter dado um tiro no peito.

Retornando à Câmara, passou a articular a candidatura vitoriosa de Juscelino Kubitschek à presidência no pleito de outubro de 1955. Diretor da Carteira de Redescontos do Banco do Brasil entre 1956 e 1958, nesse último ano assumiu a Secretaria de Finanças de Minas Gerais. Deixou o cargo em julho de 1960, para candidatar-se ao governo do estado. Derrotado no pleito, realizado em outubro, em novembro tornou-se presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, ai permanecendo até março de 1961.

A ação política de Tancredo voltou a ter destaque durante a crise resultante da renúncia de Jânio Quadros à presidência (25/8/1961). Foi a Montevidéu, convenceu Jango e voltou a Brasília no dia primeiro de setembro com a missão cumprida. A emenda foi aprovada pelo Congresso no dia 2, e cinco depois Goulart assumiu a presidência. No dia 8, Tancredo tornou-se primeiro-ministro do primeiro gabinete parlamentarista do governo Goulart. Convidou Franco Montoro para ministro do Trabalho e Ulysses Guimarães para o Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Enfrentado uma crescente insatisfação social, com a multiplicação de protestos contra a inflação e por maiores reajustes salariais, e a radicalização da luta política entre os defensores das chamadas reformas de base (constitucional, agrária, urbana, bancária e tributária) e os conservadores que se opunham a elas, em junho de 1962 o gabinete Tancredo se demitiu. Em outubro, ele elegeu-se deputado federal pelo PSD mineiro. Em 6 de janeiro de 1963, o presidencialismo foi reinstaurado através de um plebiscito e Tancredo tornou-se líder do governo na Câmara.

Em 30 de março de 1964, ele tentou evitar que o presidente comparecesse a um ato público promovido pelos sargentos, argumentando que sua presença iria aumentar a animosidade militar contra o governo. No dia seguinte, Goulart foi deposto por um golpe militar e em meados de abril o general Humberto Castelo Branco assumiu o poder, sem ter recebido o voto do mineiro, que se absteve como outros 71 parlamentares. Ulysses Guimarães votou a favor do general. Após a dissolução dos partidos decretada pelo Ato Institucional n. 2 (27/10/1965) e a instauração do bipartidatismo, Tancredo filiou-se ao oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB), releelegendo-se deputado federal em 1966, 1970 e 1974.

Em 1973, participou do lançamento da “anticandidatura” de Ulysses Guimarães, do MDB, à Presidência da República, na sucessão do general Emílio Garrastazu Médici. Em 1978, tornou-se líder da bancada do MDB na Câmara dos Deputados. No ano seguinte, passou a se dedicar ao seu novo cargo: o de senador por Minas Gerais, eleito também pelo MDB.

Em 1979, com o pluripartidarismo, aliou-se a Chagas Freitas, Magalhães Pinto e outros moderados para criar o Partido Progressista, que acabou fundindo-se com o PMDB, quando ficou claro que as regras estabelecidas inviabilizariam seu funcionamento.

Três anos mais tarde, elegeu-se governador de Minas Gerais. Participou efetivamente da campanha das diretas, mantendo, contudo, pontes com o governo militar. Com a derrota da emenda Dante de Oliveira, saiu candidato ao colégio eleitoral, sendo eleito por ampla maioria, tendo José Sarney, ex-presidente da Arena e do PDS como seu vice. Foi internado na véspera da posse e morreu sem chegar ao poder em 21 de abril de 1985, dia de Tiradentes.

Alberto Goldman fala da participação de Tancredo na Campanha das Diretas.

Mauro Montoryn fala da presença de Tancredo nos comícios.

José Álvaro Moyses descreve Tancredo como um “moderador”, alguém que se apresentava como alternativa ao governo militar.

Fafá de Belém aponta Tancredo Neves como único caminho para a transição política.

Mário Sérgio Duarte fala sobre Tancredo antevir a possibilidade de não se realizar a eleição direta.

Mauro Santayana conta sobre os últimos momentos ao lado de Tancredo Neves.

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