Vem aí a série-documental Diretas Já!

Dirigida pelo jornalista Paulo Markun, a série Diretas Já, mostra – com relatos de quem viveu o período – as consequências do golpe militar no Brasil, em 1964, e a mobilização popular, por meio da Campanha das Diretas Já, para reconquistar o direito de eleger seus governantes e retomar a democracia, vinte anos depois.

Produzida pela Imagemix Comunicação e Filmes Ltda., em conjunto com Arapy Produções e Media Art’s, ela foi gravada em diversas cidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Olinda, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte. São mais de cem entrevistados – políticos, artistas e civis – que viveram a Campanha das Diretas, entre eles Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Suplicy, José Serra, Luiz Inácio da Silva, Michel Temer, José Sarney, José Genoíno, André Montoro, José Dirceu, Paulo Vannuchi, Marcelo Tas, Lucélia Santos e Fafá de Belém, Márcio Thomaz Bastos, Alberto Goldman, Marta Suplicy.

A série-documental é dividida em seis episódios que tratam do exílio dos perseguidos políticos, da anistia e volta para casa; do movimento estudantil e a luta armada contra a repressão, assim como os movimentos sociais e sindicais que emergiram no período. A redemocratização daria um novo salto com as eleições diretas para os governos estaduais em 1982. Os últimos dois episódios abordam a campanha para as eleições diretas para Presidente no Brasil e os seus desdobramentos no futuro do país.   

No primeiro episódio: a dúvida quanto à realidade política vigente na época. A resposta viria logo depois, com o golpe; uma violenta repressão que levou ao exílio muitos opositores ao governo, como Miguel Arraes, Almino Afonso, José Serra e Vladimir Palmeira. Para muitos, a  vida no país era quase insustentável, principalmente após o decreto do Ato Institucional N5. A solução seria uma passagem só de ida para o exterior; uma partida sem garantia de retorno. A saudade de casa só foi abafada em 1979, com a Anistia.

O segundo capítulo do documentário, vai até a Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da USP, a Faculdade de Direito do Largo são Francisco, o prédio na Maria Antônia e a Universidade de Brasília (UnB), entre diversos outras instituições e espaços de debates onde os jovens se aproximaram da realidade política do país. Corpo docente e discente uniram forças e fizeram desses locais redutos do movimento estudantil no final da década de 1960. A morte do estudante Edson Luís marcou o período e gerou comoção geral. Manifestações sacudiram o país com passeatas como a dos Cem Mil; protestos de uma proporção que voltaria a ser vista lá na frente, na Campanha das Diretas.

Ao longo da década de 1970, várias bandeiras foram levantadas no esforço de alcançar a redemocratização: a luta pela carestia e pelos direitos humanos, assim como a emergência do movimento sindical. O trabalhador passou a atuar de maneira decisiva; alguns dos atos mais marcantes liderados pela classe operária ocorreram no Estádio 1 de Maio, Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. A luta contra o regime militar e seus aparelhos repressores – DOI-CODI e DOPS – se intensificava.  

Depois de vinte anos, um governador eleito pelo voto popular: Franco Montoro foi escolhido para ocupar o Palácio do Governo, em São Paulo. Na último eleição, pré-golpe, em 1962 levou Ademar de Barros à sede do Governo – na época, o Palácio dos Campos Elíseos. No quarto episódio da série nos deparamos com o governo militar que regeu a década de 1970 e que teve seu ápice na figura de Emílio Garrastazu Médici e seu sucessor Ernesto Geisel. A esperança da retomada do poder pela mão de civis foi depositada em um jovem parlamentar de apenas 30 anos. De dentro do próprio Congresso nasceu a proposta da emenda Dante de Oliveira.

A primeira manifestação pública relacionada às Diretas aconteceu em  Abreu e Lima, Recife, com a presença apenas de cem pessoas, no dia 31 de março de 1983, antes mesmo da apresentação da emenda Dante de Oliveira, que acabaria por mobilizar a população inteira. Em consequência, eclodiram comícios nas diversas capitais do país. Em São Paulo, opositores do governo ocuparam a Praça da Sé, o Pacaembu e o Anhangabaú.

Os dias que antecederam a votação, assim como o resultado e o sentimento do povo frente à derrota da emenda Dante de Oliveira, estão reservados ao último capítulo da série. A oposição vai ao colégio eleitoral e Tancredo Neves é eleito indiretamente o presidente do Brasil. O início de um governo que, na verdade, não existiu. Por fim, a série se debruça sobre os desdobramentos da Campanha das Diretas no futuro do país, tendo em vista a Assembleia Nacional Constituinte e as Eleições Diretas para Presidente a partir de 1998.

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Jornalista profissional desde 1971, já foi repórter, editor, comentarista, chefe de reportagem e até mesmo diretor de redação em emissoras de televisão, jornais e revistas. Leia mais...

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