O velho guerreiro

Joel Silveira, o repórter que viu a tomada de Monte Castelo, agora quer conquistar Aracaju

 

Vi perfeitamente quando o repórter Joel Silveira sacou de sua caneta e disparou sobre o ofício que acabara de receber: “Ao diretor do Depac, para, ao som da Nona de Beethoven, analisar, ponderar e despachar adequadamente”. O repórter Silveira rabiscou essas palavras com sua letra trêmula, ajeitou o nó largo da gravata fora de moda, deu uma sonora risada e entregou o documento para sua fiel secretária Ritinha. Aos 69 anos, inaugurava um estilo para os despachos, tão original e eficiente quanto o dos publicados 43 anos antes pelos Diários Associados, com a assinatura do jovem repórter sergipano que foi conhecer a Europa junto com outros seis mil brasileiros – os pracinhas, enviados à Itália para combater as forças do Eixo.

 

Um daqueles despachos começava assim:

Vi perfeitamente quando a rajada metralhadora alemã rasgou o peito do Sargento Max Wolf Júnior. Instintivamente, ele juntou as mãos sobre o ventre e caiu de bruços. Não se mexeu mais. O Tenente Otávio Costa, que estava ao meu lado, no Posto de Observação, apertou os dentes com força, mas não disse uma palavra. Quando lhe perguntei se o homem que havia tombado era o Sargento Wolf, ele balançou afirmativamente com a cabeça.

 

Menos de uma hora antes eu estivera conversando com o sargento. Creio que foi a mim que ele fez suas últimas confidências. Falou-me de sua filha, uma menina de 10 anos de idade que deixara em Curitiba. Disse-me que era viúvo (na verdade era desquitado) e me disse que sua promoção a segundo-tenente, por ato de bravura, estava prestes a chegar. E como eu estivesse recolhendo mensagens entre os homens do seu Pelotão de Choque, já alinhados para a patrulha de minutos depois, o Sargento Wolf pediu-me que também enviasse a sua. Estão comigo as poucas linhas que sua letra fina e desenhada escreveu no meu caderno de notas: “Aos parentes e amigos: estou bem. À minha querida filhinha: papai vai bem e voltará breve”. Não voltaria.

 

Como se vê, o vi perfeitamente de 1944 era bem melhor. E mais veraz também. Afinal, quando eu cheguei ao gabinete de Joel Silveira, em Aracaju, no fim do mês passado, o despacho em questão, citando a Nona de Beethoven, já estava pronto e assinado. Joel Silveira adotou Beethoven em seus despachos, mas nega que pretenda criar um estilo próprio para comunicados e memorandos. Nega até mesmo que repórter tenha estilo e lembra um comentário que ouviu do mestre Graciliano Ramos (descoberto para a literatura justamente pelo estilo de seus relatórios, como secretário da Educação de Palmeira dos Índios, Alagoas):

 

“Estilo? Quem tem estilo é Tolstoi, Sthendal. Maneira tinha o Machado de Assis. A gente só tem é jeito”.

 

Mas que diabos está fazendo em plena Aracaju, 1987, o veterano sem estilo de Monte Castelo? A resposta mais breve seria: “exercendo o cargo de primeiro secretário da Cultura do Estado de Sergipe”. Mas não é nem completa, nem digna do repórter Joel Silveira e suas mil histórias, que ele já contou tantas vezes, a ponto de provocar mais uma definição definitiva de seu amigo Carlos Castello Branco, o Castelinho:

 

“Joel, você é melhor falando do que escrevendo”.

 

Oficial de gabinete aos 13, proxeneta aos 14, repórter consagrado aos 19.

 

Em Aracaju, Joel Silveira não está cobrindo uma guerra. Está participando de uma. Não é nem mesmo conhecido da massa, embora tenha nascido ali mesmo e não, como diz a lenda, em Lagarto – a cidade em que Lampião não entrou – no dia 23 de setembro de 1918. É que ele passou 50 anos fora e quando voltou, já secretário da Cultura do governo Antonio Carlos Valadares, caiu no meio do tiroteio que é a chamada intelectualidade sergipana.

 

Antes de sair de Sergipe, no navio Itanajé, em 1937, ele já tinha pintado e bordado. Foi oficial de gabinete do governador Augusto Mainard Gomes aos 13 anos. Fundou o Grêmio Clodomir Silva no Atheneu D. Pedro II, o colégio da cidade. Liderou uma greve e arrancou os trilhos do bonde, num protesto contra o aumento das passagens. Conheceu uma certa Iracema Costa Lira, aos 11 anos – paixão fulminante que transformou em casamento quando mudou para o Rio e que hoje completa, segundo Joel, “bodas de césio 137”. Entrou para a vida literária no cabaré Pinga-Tostão, aos 14, escrevendo cartinhas para as coloridas moças do estabelecimento e cobrando, em dinheiro ou em espécie. Ajudou a editar A Voz do Atheneu e um “de-vez-em-quandário” de má fama chamado A Voz do Operário, que lhe valeu a definitiva antipatia do pai, por quem nunca nutriu aliás, sentimento diferente. Recebeu um conselho das autoridades locais – dar um tempo, fora dali – rompeu de vez com o pai e foi para o Rio estudar Direito, curso que jamais completou.

 

Quando voltou, há três anos, foi recebido com banda de música. Bem, na verdade, uma banda de pífanos providenciada pela colunista social Clara Angélica, incumbida da recepção ao jornalista famoso, que o governador João Alves queria homenagear. De qualquer modo, Joel não se fez de rogado. Tirou o paletó, começou a dançar em pleno saguão e perguntou à colunista – que ele nem conhecia:

“Tem uma cervejinha?”

 

Tinha. E ali começou uma amizade que ia dar dor de cabeça ao velho repórter.

 

Entre o navio de 1937 e o avião de 1984, Joel viajou o mundo. Mas antes conquistou o Rio e virou jornalista, de um modo absolutamente original, como costuma acontecer com ele.

 

Quando seu dinheiro acabou, foi morar com Antonio Nássara, seu primeiro amigo carioca. Decidido a ficar no Rio de qualquer maneira, Joel escreveu uma carta para um suplemento literário recém-lançado pelo jornalista Alvaro Moreyra, o Dom Casmurro.

 

E no dia 23 de março de 1937, uma sexta-feira, quase desmaiou na banca de jornal. A carta estava inteira na primeira página. Joel não resistiu e foi à redação, sendo recebido com comentários assombrados de algumas feras do jornalismo daquela época. “É ele, é ele!” Espantados com o garoto de 19 anos que já tinha texto de primeiro time estavam Carlos Lacerda, Moacyr Werneck, Lúcio Rangel, Murilo Mendes, Aníbal Machado e o próprio Álvaro Moreyra, que contratou o rapaz e sem dinheiro para pagar direito, passou a convidá-lo diariamente para jantar.

 

Se tivesse ficado nessa turma privilegiada, Joel Silveira já teria se transformado num dos monstros sagrados da Imprensa brasileira quase que por inércia. Mas é aí que entra na história Samuel Wainer. Os dois tiveram uma relação turbulenta de amor e ódio e até hoje, Joel não reconhece em Samuel uma influência decisiva em sua carreira. Só que foi no semanário Diretrizes, lançado em 1937 por Samuel e Azevedo Amaral, que Joel se transformou no primeiro grande repórter brasileiro.

 

Em 1943, Samuel mandou seu repórter passar uma semana em São Paulo. Com a ajuda do pintor Di Cavalcanti – de quem se tornou grande amigo – Joel produziu uma demolidora descrição da vida imbecil dos grã-finos da época. Sutil mas ferina, a reportagem tinha coisas do tipo:

 

‘’O estilo de Jerry (N. R. um dos colunistas sociais mais respeitados da época) é como sua dentadura. Uma coisa certa e limpa. Impossível é, porém, alguém saber se Jerry nasceu assim com bons dentes ou se o seu sorriso é a realização de algum odontólogo caro”.

 

Diretrizes esgotou e tirou outro tanto. O rebu só foi menor do que o provocado um ano depois por uma entrevista com Monteiro Lobato, em que o escritor dizia, entre outras coisas, que o governo deve sair do povo com a fumaça sai da fogueira. A coisa esquentou para o lado do semanário, que foi fechado pelo DIP. Samuel Wainer se exilou na embaixada do Chile. Joel ficou desempregado e acabou indo para a guerra.

 

Tudo começou, na verdade, com a reportagem sobre os grã-finos paulistas. Assis Chateaubriand viu e disse:

 

“Esse sujeito é uma víbora. Quero ele trabalhando para mim”.

 

Na ocasião, Joel recusou, mas com o semanário fechado, acabou indo para os Diários Associados, onde estavam os três maiores repórteres da época: Edgar Morel, David Nasser e Carlos Lacerda. Para não ferir nenhum dos três, Chateaubriand resolveu mandar para a guerra o número quatro, aquele sergipano de 26 anos.

 

Na guerra, combatendo as metáforas óbvias e o sentimentalismo barato.

 

Escrevo esta minha primeira reportagem após 22 horas a bordo do transporte que nos desembarcará dentro de 16 dias em Nápoles. A mim e a cerca de seis mil soldados que comigo seguem para a guerra. É um mundo estranho e misterioso que possivelmente levará muito tempo para ser revelado. Ando pelos porões do imenso navio, perco-me em seus corredores que parecem não ter fim, e cada porta de ferro se abre para nova surpresa. Os avisos e os alto-falantes que se multiplicam por todos os compartimentos são guias orais e explícitos do que se deve e não se deve fazer. Estamos em guerra, somos uma multidão que segue para a guerra e muita coisa não se deve fazer: não se deve, por exemplo, atirar qualquer coisa ao mar. Sou apenas um recruta, bisonho e desprevenido como todo recruta, um pobre e indefeso civil em poucas semanas transformado em um soldado da ativa e me emaranho e me confundo num mundo que nunca foi o meu.

 

Joel passou nove meses e 11 dias no front. Voltou cheio de histórias e experiências e já transformado no número um da reportagem. Trabalhou ao lado do amigo Rubem Braga, de Egydio Squeff, de Thassilo Mitke e de figurões como Harry Buckley e Ernest Hemingway. Engoliu a todos. Suas matérias, escritas numa máquina portátil que aparece numa das fotos da época, às vezes sob o frio intenso são mais que um relato jornalístico. Ele escapa das imagens fáceis, das metáforas óbvias, do sentimentalismo superficial. Aqui e ali, existe é claro aquela pitada de emoção, um toque de poesia, humor, ironia, humanidade. Por exemplo:

 

…Metade da noite os alemães lançaram um ou dois foguetes iluminativos – é assim que se diz? O belo fogo de artifício brilhou no céu em centenas de pequenas estrelas; depois, o pequeno pára-quedas iluminado foi descendo devagar, até ficar pendurado num galho sem folhas. O pracinha Francisco Aparecido de Oliveira, de Jacareí, que fez parte da patrulha, me conta: “A árvore desgalhada de repente virou uma árvore de Natal”.

 

…Às 17h50 a voz do major Franklin vem, forte, pelo rádio: Estou no cume do Monte Castelo. E pede fogo da artilharia sobre posições inimigas além do monte. Castelo é nosso, me diz o general Cordeiro. Mais alguns minutos e nossas baterias já estão bombardeando Caselina, Serra e Bela Vista. Os alemães respondem com morteiros. Mas nada mais lhes adiantaria, porque, com me diria na manhã seguinte o coronel Franklin, “estamos em Castelo e ninguém mais nos tira daqui”.

 

Os melhores textos de Joel Silveira sobre a guerra viraram livro em 1984, por causa de uma jovem repórter. Escalada para entrevistar o velho correspondente, ela confessou toda sua ignorância e lhe perguntou:

“Pra começar: o que é essa tal de FEB?”

 

A FEB, a campanha da Itália, a experiência da guerra marcaram profundamente Joel Silveira. A ponto de ele se auto-definir freqüentemente como sargento Silveira, ou bater continência diante de uma bela mulher.

 

Senso de humor, aliás, é uma de suas marcas registradas. E ajudou na carreira. O humor de Joel conquistou Chateaubriand, Samuel Wainer e depois, Adolpho Bloch, com quem trabalhou 21 anos.

 

Adolpho só chama de “puta velha”, uma expressão que para nós jornalistas, não tem nada de pejorativa. Joel retrucava referindo-se ao patrão como Astolpho. A puta velha conseguiu sempre o que queria do Astolpho. Boas matérias, verba ilimitada para as viagens. Em troca, rodou o mundo, entrevistou políticos e personalidades, ficou em Manchete até se aposentar, em dezembro de 1981.

 

Quando precisava de aumento, botava na vitrola a Sétima Sinfonia de Beethoven (adora música clássica) e com a fúria da música na cabeça, enfrentava a mitológica avareza de seu patrão.

 

Depois de abandonar o jornalismo, publicou “Milagre em Florença” (contos), “A luta dos pracinhas”, “Dias de luto” (o primeiro romance), “Tempo de contar” (memórias e reportagem), “O dia em que o leão morreu” (contos), “O generalíssimo e outros incidentes” (contos e reportagens). E tem prometidos mais dois volumes de memórias: “Tempo de lembrar” e “Tempo de brigar”. Respectivamente, lembranças e reminiscências dos tempos da ditadura. Ou das ditaturas.

 

Na Olivetti (que continua portátil) só escreve uma coluna semanal para a Revista Nacional, um encarte produzido pelos Diários Associados para um punhado de jornais em todo o país.

 

E estava assim, posto em sossego – “morrendo aos poucos”, reconhece – quando o recém-eleito governador de Sergipe pediu para encontrá-lo em sua casa, no Rio no final do ano passado.

 

O apartamento de Joel fica na divisa entre Copacabana e Ipanema. Não é grande e parece ainda menor por causa dos 80 quadros e 22 mil livros espalhados por todas as paredes, numa ordem que deve muito à dona Iracema. Ela preparou uma boa feijoada para receber o governador e um velho amigo de Joel, o senador Lourival Baptista. Conversa solta, amenidades, um uisquinho. De repente, o governador pede um papo a sério.

 

Os três foram para o quarto que serve de escritório para o velho repórter. Ali ele trabalha entre três paredes de livros, uma janela que só mostra fundos de prédios, uma cama de solteiro e uma bancada estreita, de fórmica imitando madeira.

 

Em três minutos, Antonio Carlos Valadares liquidou a fatura:

“Gostaria de convidá-lo para ser o secretário da Cultura do meu governo. É um cargo novo e teria muito prazer se você aceitasse essa parada”.

 

Joel se espantou. Pensou poucos segundos e disse que precisava consultar sua mulher.

 

Deixou o Joãozinho no Rio e partiu para a batalha de Aracaju

 

“O problema, governador, é o Joãozinho”.

 

Joãozinho tem quinze anos e é o mais privilegiado morador do apartamento. Um gato angorá, dado por Adolpho Bloch para substituir a Joaninha, que morreu aos 17 anos, deixando Joel mudo e cabisbaixo por mais de uma semana – Joel tem paixão por gatos desde garoto, mas quem cuida do bichano é dona Iracema. Que por sinal, faz tudo: ele não sabe nem trocar uma lâmpada.

 

Dona Iracema viu que o marido queria mesmo topar a parada. E concordou imediatamente.

 

Ao assumir o cargo, Joel Silveira nomeou a colunista social Clara Angélica como secretária adjunta. E definiu dois objetivos: equipar as destroçadas bibliotecas locais com pelo menos 20 mil livros e construir um grande centro cultural.

 

Sem experiência administrativa e política e 50 anos longe de Sergipe, o começoy não foi fácil. Um dia, o governador chegou ao apartamento dele e encontrou a mala pronta, do lado de fora. Custou a convencê-lo a continuar no cargo.

 

Hoje, Antonio Carlos Valadares diz que Joel é um de seus melhores secretários. Assinou diversos convênios com o governo federal, onde tem amigos dos tempos da FEB. Os livros que pede a todos os editores do país estão chegando aos milhares. Já não tem secretária adjunta e os intelectuais da cidade se aproximaram dele.

 

Mas ele ainda se resguarda: não anda de bermuda fora de casa, não usa o carro oficial fora do serviço, só bebe para valer nos dias de folga. Continua sendo assunto de calçadão, mas vai sendo assimilado pela cidade. Não conseguiu uma só declaração contra ele e nem uma palavra do velho repórter sobre quem o colocou numa fria nos primeiros tempos, afastando-o de todos.

 

Aos 69 anos, Joel está em plena guerra. Ataca os memorandos com Beethoven, o ranço da cultura local com sua simpatia, a falta de recursos com suas amizades federais, mas ainda se impacienta diante da lentidão burocrática. Quando a secretária o convoca para um despacho com o governador, reage, meio irônico, meio irritado:

“Despacho? Em que encruzilhada?”

 

O que ele gosta mesmo é de conversar fiado, bebericando um bom uísque escocês –coisa que faz com o copo indo da boca para perto do ouvido e os olhos fechados, em piedosa reverência. Não acredita em Deus, mas adora os papas. É um galante inveterado, um perdulário incorrígel (seus amigos trocam as notas de 500 que costuma usar por outras cem, porque ele as distribui fartamente nahora da gorjeta). Bom garfo, sem ser um gourmet, Joel também dorme pouco. Acorda às seis da manhã e todas as noites, liga para mais de um amigo no meio da madrugada, sem motivo real, apenas para conversar.

 

Poderia contar muito sobre ele, mas as melhores histórias de seus 50 anos de reportagem estão em seus livros – bem melhor escritas. Por isso, ficam aqui algumas receitas de Joel Silveira sobre seu ofício:

 

“O repórter precisa primeiro pesquisar o assunto antes de ir a campo. Depois, deve dormir com a notícia. Não deve violar nunca o fato, embora este possa violar o repórter. E tem que ter sorte também. No dia 9 de abril de 1948 eu estava em Bogotá, cobrindo uma chatíssima conferência Pan-Americana quando explodiu uma grande revolta popular. Eu tinha ido para lá como prêmio”.

 

Em seu livro “Tempo de contar”, Joel reconstitui a participação de Fidel Castro no episódio, usando um expediente que não vacila em empregar – a citação expressa de entrevistas ou reportagens de outros jornalistas quando ele não tem a melhor versão. E encerra a história assim:

 

Fica, portanto, esclarecido o mistério e esclarecido pelo próprio Fidel: nos dias 9 e 10 de abril de 1948, o estudante Fidel Castro Ruiz participou diretamente do bogotazo. E teve até a oportunidade de dar seus quatro tirinhos.

 

Permanece contudo, outro mistério: teria eu, Joel, jornalista de 33 anos, esbarrado alguma vez com o estudante Fidel, em qualquer esquina ou calçada da convulsionada Bogotá, naquelas ensandecidas horas que se seguiram ao assassinato de Jorge Eliècer Gaitán? Dada a minha total desimportância histórica, que perdura até hoje, é possível que esse mistério jamais seja esclarecido.

 

Aí está o segredo do repórter Joel Silveira. Não levar nada a sério – nem a si próprio. Joel Silveira só respeita o fato. E quando lhe pergunto porque, afinal, aceitou o convite do governador, ele me diz, irônico:

 

“Quando o Assis Chateaubriand me mandou para a guerra, deu um conselho. “Seu Joel – ele disse – o senhor vá para guerra, mas não me morra! Repórter é para trazer notícia, não para morrer”. E é isso que estou fazendo aqui nessa guerra: não morrendo”.

Publicado em Revista Imprensa

Sobre o autor

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Jornalista profissional desde 1971, já foi repórter, editor, comentarista, chefe de reportagem e até mesmo diretor de redação em emissoras de televisão, jornais e revistas. Leia mais...

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