VC em revista

Sua moeda número um foi um gibi do Pato.
Biliardário, aos 80 anos, Victor Civita quer continuar sendo apenas um “fazedor”.

O porteiro demora a descobrir meu nome na lista de convidados. O elevador pára no segundo andar e descarrega um carrinho repleto de revistas. Lá em cima, a recepcionista gasta preciosos segundos até localizar Dona Rosely pelo telefone interno. Estou 45 minutos atrasado para o encontro com Victor Civita, o pontual e poderoso dono da Abril – e a sorte não está do meu lado. A loira e sorridente Rosely, uma espécie de ajudante-de-ordens de VC, me leva pelo corredor do sexto andar, com suas paredes cheias de obras de arte e, na ante-sala, quase consegue derrubar minhas últimas esperanças:
“Agora não adianta mais” – diz ela com um sorriso enigmático sobre o qual ergo minha fé. “Quarenta e cinco minutos! Ele não vai atender…”

Dito isso, desaparece por uma porta lateral. Um capitão da industria, um empresário todo-poderoso que comanda 11.500 funcionários e quinze empresas não devia mesmo receber um repórter tão impontual. Em 45 minutos, ou menos, ele é capaz de tomar decisões que envolvem milhões de dólares, centenas de empregos, milhares de exemplares de uma nova publicação. Ainda afio mentalmente meus contra-argumentos, na esperança de poder esgrimi-los. E me recordo do primeiro encontro com Victor Civita, em circunstâncias muito diferentes, quatro anos antes.
Foi num estúdio fotográfico da Abril, onde diretores e funcionários da empresa se reuniram para a foto oficial do lançamento da Abril Vídeo, o embrião da sonhada – e até hoje distante TV Abril. Quem estava atrasado era ele.

Chegou falando com todos e pedindo desculpas e posou com o entusiasmo de um colegial. Foi conferir a foto no arquivo: há sorrisos entusiasmado e fisionomias tensas, mas a expressão de Victor Civita era de quem sabe que a parada está ganha. Não estava.
Não tive chance de testar se um atraso pode justificar outro. Dona Rosely abre a porta e me coloca diante de VC.
Do lado de lá de uma grande mesa de jacarandá, Victor Civita se ergue – um hábito que faz questão de preservar “um pouco de gentileza, um pouco de educação, um pouco de exercício”.
O sorriso de 22 dentes – é possível contá-los, em qualquer foto – se abre prontamente, tão veloz quanto o cumprimento italiano, que já provocou algumas confusões:
– “Ciao, caro… Eu te mato!”

Victor Civita é baixo e franzino. É vaidoso também: passa algum tempo, todas as manhãs, escolhendo a roupa que vai usar. Tem 50 ternos, que como ele, falam pelo menos duas línguas: o tecido é inglês, italiano ou americano. O corte, brasileiro mesmo, apesar do nome: Valério Taddei.

Gosta de perfume e os raros cabelos estão sempre impecavelmente alinhados, como as trilhas de um arado. Os óculos de aro de tartaruga e grossas lentes bifocais, para enfrentar a miopia e o astigmatismo, estão com ele há dez anos. O carro, que já foi um Aero Willys, é um Landau 1980, com 70 mil quilômetros rodados.
Sobre a mesa, o número um de Imprensa, que ele puxa para si, enquanto oferece uma das três poltronas de couro preto, design década de 60, como todos os móveis de seu gabinete:

-“Então você criou coragem e lançou uma revista? Bem-vindo ao clube…”

Ele passa os dedos sobre o papel e indica fabricação e gramatura, como um connaisseur é capaz de fazer com os vinhos. Sabe tudo de revistas. Não há editor na Abril que não tenha recebido seus bilhetinhos escritos com caneta tinteiro azul, comentando a capa ou uma foto qualquer. Nenhuma publicação saiu dali, desde o primeiro Pato Donald (julho de 1950, 82.370 exemplares), sem passar pelas mãos de Victor Civita.

Inimigo do não e dos cretinos, em quatro línguas

A trajetória desse italo-americano nascido há 80 anos em Greenwich Village, Nova Iorque, e criado em Milão, está descrita tintim por tintim num livro adequadamente intitulado Victor Civita, editado pela Nova Cultura. Ela praticamente se confunde com o percurso realizado por suas quinze empresas, a partir de uma sala de 20 metros quadrados, na rua Líbero Badaró, centro de São Paulo, em 1950, também relembrado no catálogo da exposição montada este ano no Masp, com toda pompa e circunstância.
Explico que a idéia é traçar seu perfil para Imprensa. Digo-lhe que já li seu livro e ele responde, sorrindo:
“Então, meu caro, você já sabe tudo? O que mais posso lhe dizer?”

A frase não é um ponto final. Foi apenas o pontapé inicial para uma longa conversa, em que falamos de tudo.
Victor Civita cultiva algumas palavras e abomina outras. Entre as que detesta, o não tem lugar de destaque. Entre as que utiliza com freqüência, é preciso incluir cretino, mais que uma ofensa, uma classificação. No seu raciocínio, não é a fórmula que os cretinos usam para tentar impedir que ele faça mais coisas.
E ele se considera um fazedor e nada mais:
– “Quero ter uma idéia nova a cada dia e, depois, tentar realizá-la. Se você pensar dez segundos sobre uma coisa, qualquer coisa, verá que ela pode ser realizada melhor, feita melhor, com uma repercussão melhor. O mundo precisa de fazedores, não de idealistas. Embora todo o fazedor seja, a seu modo, um idealista.”

Cretino, não e tantas outras palavras que compõe o vocabulário de VC são ditas com sotaque.
Ele fala e escreve corretamente inglês, italiano, francês e português. Este, com o mesmo acento que seus filhos Robert e Richard, praticamente criados aqui, também ostentam. E a terceira geração dos Civita no Brasil dificilmente escapará do sotaque: os netos de VC estudaram em colégios americanos e, como seus pais, devem cursar a faculdade no exterior. Até no clube de golfe, VC é poliglota. Conversa com a maioria dos adversários em inglês – ultimamente, prefere jogar sozinho – mas bate papo com o candy em italiano. E pensa em quatro línguas. Golfe é hoje seu passatempo preferido. Joga normalmente aos sábados e de vez em quando, em manhãs ensolaradas no meio da semana. É um jogador regular, mas ainda assim, com desempenho acima da média para quem completou 80 anos no dia 9 de fevereiro de 1987.
Acorda às seis e meia, toma o café da manhã lendo a Folha de S. Paulo. Os outros jornais vai conferir no Clipping produzido pela Abril, lá pela hora do almoço. Depois do café, faz 35 minutos de ginástica sozinho no amplo banheiro do oitavo andar de um prédio meio antigo, na avenida Higienópolis, centro de São Paulo. O mesmo edifício em que mora Olavo Setúbal e do qual VC foi o síndico, até poucos meses e onde promove um reforma geral da entrada. Demora-se no banho e na escolha da roupa.
O motorista, que o espera na garagem, nem pergunta o destino: 90 vezes em 100, é o prédio da editora Abril, erguido sobre um pântano, que ele comprou num negócio lunático, em 1967, quando nem existiam as marginais. Durante muitos anos, dali de seu escritório amplo – 60 metros quadrados, divididos em dois ambientes, gabinete e sala de reunião -, ele comandava cada passo da Abril. Hoje não é bem assim. A palavra final ainda é dele, mas em cada uma de suas empresas há cada vez mais memorandos, fluxogramas, metas, grupos de análise, gráficos de produtividade, reuniões de avaliação e computadores. E VC não sabe lidar com computadores, nem pretende apreender.
Fui saber de Robert Civita, o primogênito, o que mais ele admirava no pai. Ele pensa um pouco e pede à secretária um texto que fez para um caderno especializado em marketing com um título sugestivo: “Como se lidera o mercado de revistas”.
São dez mandamentos. O primeiro diz:
-“Comece escolhendo o Fundador da sua empresa com extremo cuidado. Assegure-se que seja um daqueles homens que não conheça a palavra “impossível” e que seja movido por um combustível que envolva – em partes iguais – energia inesgotável, otimismo permanente, imaginação efervescente, sensibilidade polivalente, coragem leonina, visão astronômica, idealismo inabalável e entusiasmo contagiante”.

A maior coleção de filosofia do mundo nasceu num elevador

Entregues os mandamentos, Robert ainda aponta as qualidades que mais o entusiasmam em VC – que ele chama assim, pela sigla, como outros parceiros de direção na Abril:

-“Decide tudo em trinta segundos. Às vezes, estão em jogo os próximos dez anos da empresa. Aponto dois caminhos opostos e ele diz: É esse, é claro! Escolhe sempre o mais difícil, o mais ousado, o mais arriscado. Eu sou muito mais prudente – os tempos também são outros, a empresa mudou, mas sou mais cauteloso mesmo. E ele é uma árvore que nunca fez sombra para impedir que outras árvores crescessem.
Eu e o Richard, desde quando tínhamos os 20, 22 anos, pudemos agir livremente. Experimentar, acertar, errar.
Ele sempre nos deu espaço para crescer. E nisso é diferente de tantos outros fundadores.”
A fama de rápido no gatilho é confirmada por quem trabalhou durante muito tempo com VC, como Pedro Paulo Poppovic, um dos diretores do grupo, hoje dono de uma empresa de assessoria editorial:
-“A maior coleção de filosofia já editada em todo o mundo – lembra Pedro Paulo – foi decidida no percurso entre o sexto andar e o térreo, dentro do elevador. Apresentei as linhas gerais do projeto, que atendia a uma necessidade educacional do País e seu Victor disse apenas: “Pode tocar”. A série Os Pensadores produziu 26 teses de doutoramento, porque era preciso traduzir os maiores filósofos para o português. Dos pré-socráticos até Sartre, a coleção vendeu mais de 4 milhões de volumes e mudou completamente os rumos do ensino de Ciência Humana no Brasil.”
Algumas decisões da vida da Abril não foram assim tão aceleradas. A que consumou a divisão do grupo em duas metades, por exemplo. Foi a forma de serenar o furacão que varreu a Abril durante alguns anos: a briga entre Robert e Richard pelo poder.
VC reconhece o embate, miniminiza suas dimensões e explica com naturalidade a solução, dizendo que tem dois filhos bem dotados, dispostos e, portanto, ambiciosos.
“O jeito foi dividir as empresas. Como eu só tenho dois filhos ficou fácil. Se tivesse quatro ou cinco, seria impossível.”
Na hora da partilha, em 1982, o milânes cauteloso Robert, 41 anos, ficou com a Editora, certamente o filé mignon do grupo. Richard, o impulsivo, nascido em Londres, 38 anos, levou 14 empresas, agrupadas sob a sigla CLC – Comunicação, Lazer e Cultura.
A divisão foi completa: o catálogo da exposição do grupo, no começo do ano, no Museu de Arte de São Paulo, tem duas metades. Uma para a Editora, outra para a CLC, com 34 páginas cada.
E pode ser lido do fim para o começo ou vice-versa, porque cada metade está de cabeça para baixo em relação a outra. A única foto dos irmãos juntos é, bem antiga, como prova a cabeleira ainda farta de VC.
Ainda há relações comerciais, é claro. A Dinap – distribuidora comandada por Richard – é quem coloca as revistas da Abril – e muitas outras – nas bancas de todo o país. Com carinho todo especial para Veja, o carro-chefe da Abril.
Veja era um nome na cabeça de VC quando ele foi procurar Mino Carta, em 1959, na Itália.
O sonho nasceu em 1968 e rapidamente transformou-se num pesadelo de 6,5 milhões de dólares – total do buraco que abriu antes de apontar para cima as curvas do faturamento e da circulação. A revista é um capítulo à parte na vida de VC e da Abril.
Surgiu no prenúncio da tempestade chamada AI-5 e deu de cara com a censura. Victor Civita garante que a empresa fez oposição sistemática ao governo, durante 20 anos. E que as segundas-feiras lhe foram particularmente penosas, em virtude de telefonemas de Brasília, criticando a revista. Assegura que sempre tinha a mesma resposta aos telefonemas – uma pergunta, na verdade:
“Não gostaram? Mas é mentira? Ah, não… então, bem, o que eu posso fazer?”

A aventura de Veja custou 6,5 milhões de dólares, antes de decolar

Os embates com o governo acabaram provocando a saída de Mino Carta da direção da revista, já no fim da ditadura. VC é lacônico e diplomático ao falar da saída de colaboradores importantes da Abril.
Garante que continua amigo dos que saíram por razões pessoais. Acrescenta que outros saíram porque estavam armando um complô pelo poder dentro da Abril. E sorri ao comentar que nenhum deles foi muito longe, fora da Abril. Agora dar nomes aos bois, ele não dá.
É raro, mas VC deixa de responder a determinadas perguntas. Algumas, porque considera óbvias as respostas. Outras, sem maiores explicações.
Deus, por exemplo. Ele acredita? A resposta é um sorriso, uma pausa, uma dúvida e um pedido: que eu deixe de lado a resposta.
Prefere falar do universo, das dimensões da galáxia, da pequenez humana comparada a imensidões estrelares. Não é um recurso de retórica, parece mais uma curiosidade sincera e um reforço para seu entusiasmo contagiante, sua ideologia do fazer permanente, seu otimismo incurável.
VC olha para a pilha de papéis de seu lado direito e se entusiasma:
“São projetos! Tenho de resolvê-los imediatamente!” E saca um deles, a Cartilha de Planejamento Familiar que a fundação que leva seu nome está imprimindo aos milhões, distribuindo gratuitamente pelo país.
É fácil imaginar o poder de persuasão desse senhor alguns anos atrás. Que se falhasse, dava vez a argumentos ainda mais poderosos. Assim aconteceu quando ele, de volta da Itália, apresentou à direção da Abril a idéia de lançar fascículos no Brasil. O entusiasmo esbarrou na ducha de água fria de toda a diretoria, que achava que o brasileiro jamais compraria coleções enormes em doses homeopáticas. VC firmou o pé, ganhou a parada e muito dinheiro também.

Onze votos contra, um a favor. Resultado: doze a zero

Um ano antes, já tinha demonstrado para o mesmo grupo as vantagens da democracia. Queria lançar uma Bíblia, colocou duas edições sobre a mesa de reuniões que fica ao lado do seu gabinete. Uma chamada A Bíblia mais Bela do Mundo. A outra, menor, mais barata, para os jovens. Pediu que todos escrevessem seu voto num pedaço de papel, recebeu onze votos a favor da Bíblia dos jovens e disse:
“Muito bem, a votação foi democrática, minha decisão também é. Tenho 51 por cento das ações da Abril e vamos editar a outra.”
Vendeu 15 milhões de exemplares de luxo e hoje a tal Bíblia está em muita favela, no ponto mais nobre do barraco.
Quero saber como ele toma essas decisões: a resposta é um gesto de passar os dedos diante do nariz, como quem fareja algo no ar. Com esse feeling, em seus 37 anos como editor, Victor Civita mudou completamente o panorama editorial brasileiro. Lançou novas revistas, implantou a indústria do fascículo, profissionalizou boa parte do jornalismo. E ganhou muito dinheiro.
Pergunto-lhe se ele não tem vergonha de ganhar tanto, num país tão pobre. Ele sorri, dizendo que não, está feliz da vida e que, para ele, dinheiro é só um meio de fazer mais coisas.
– “Não tenho iate, não tenho fazenda, só tenho dois apartamentos – o que eu moro e outro no Guarujá. E nem tenho avião: quando preciso alugo um.”
Difícil descobrir extravagâncias, requintes nesse biliardário. A coleção de arte é a única confessada e já tem destino: vai para a Fundação Victor Civita.
Já praticou todos os esportes – foi um bom esquiador na juventude. Só manteve o golfe. E no meio do campo, aristocrático como o do São Paulo Golf Clube, numa manhã de sábado, quando faço a clássica pergunta sobre o cigarro e bebidas, responde com seu humor ainda afiado:
“Fumei até os 30 anos. E não bebo, a não ser socialmente. Mas não me faça a terceira pergunta, por que a resposta será sim!”
Vai ao teatro com regularidade e foi um aficionado da ópera – nos bons tempos, via 50, 60 representações por ano. Balé não gosta muito – “encurtaria todos.”
Política também está fora de sua lista de interesse. É amigo do presidente Sarney, desde os tempos em que era governador do Maranhão. Mas autoridade e políticos frequentam menos o sexto andar da Abril do que instalações equivalentes em outras empresas de comunicação. Quando aparecem, provavelmente há algum negócio sendo fechado. O ideário da Abril, inscrito em bronze na fachada de mármore do prédio, fala em “desenvolvimento da livre iniciativa” e em “fortalecimento das instituições democráticas”.
Uma coisa e outra levando ao crescimento empresarial da Abril.
Na cabeça de Victor Civita, é por isso que Veja é diferente de outros veículos de chamada grande imprensa:
“Ao fazer o reporting cuidadoso e inteligente do que acontece, a revista é um instrumento de ação política. Nas entrelinhas estão escritas um montão de coisas que a gente sente, mas não lê.”
O destino do irmão mais velho de VC – Cesar Civita, que, conseguiu com Walt Disney a representação das histórias em quadrinhos para a América Latina – talvez esteja por trás dessa atitude meio distanciada da vida brasileira. Cesar montou um império gráfico na Argentina e entregou a Victor a representação Disney no Brasil. Participou ativamente do jogo bruto da política argentina, nunca escondeu sua origem judaica, foi perseguido e acabou tendo de vender tudo e sair do país. Hoje vive em Nova Iorque.
Os dissabores do irmão reforçaram o cosmopolitismo de VC, que nasceu em Nova Iorque, cresceu em Milão, passou algum tempo na França e desembarcou no Brasil, para tentar fazer aqui o que Cesar já fazia em Buenos Aires – inundar as bancas de Patos e outros personagens Disney. Ele não se sente nem americano, nem italiano, nem brasileiro:
“Sou um cidadão do mundo”- admite. 

Victor Civita tem a ingenuidade do Pato Donald, a criatividade do Pardal e, certamente, a sorte do Gastão. O nosso Patinhas não é rabugento, nem pão-duro. Mas como o original, acha que todo home tem seu preço. O de alguns, assegura, não é dinheiro. O dele seriam as condições de fazer o dobro do que fez, construindo uma árvore duas vezes maior e mais frondosa. Simpático e sorridente, otimista, entusiasmado, o nosso Tio Patinhas não é doutor, como muitos colegas. Não terminou o curso, ouviu do pai um conhecido ditado italiano – “mais vale um asno vivo que um professor morto” – e para todos os que trabalham em suas empresas é simplesmente seu Victor.

Sobre o autor

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Jornalista profissional desde 1971, já foi repórter, editor, comentarista, chefe de reportagem e até mesmo diretor de redação em emissoras de televisão, jornais e revistas. Leia mais...

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